PUBLICIDADE
IPCA
1,35% Dez.2020
Topo

MEZ Energia mira ativos de geração em 2022; sócios vendem coligada a fundo da XP

18/02/2021 16h57

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A MEZ Energia, que arrematou diversas concessões para projetos de transmissão de eletricidade em um leilão no final de 2020, tem planos de se tornar um nome relevante no setor elétrico do Brasil nos próximos anos, disse à Reuters o presidente e acionista da companhia, Mauricio Ernesto Zarzur.

Criada em 2019 por membros da família fundadora do grupo de construção EZTEC, a MEZ tem empreendimentos em carteira que exigirão quase 3 bilhões de reais nos próximos anos, e avalia ainda planos de expandir os negócios para geração renovável em 2022, acrescentou o CEO.

Ele afirmou que a MEZ concentrará a partir de agora todos os investimentos do clã em energia, enquanto uma empresa anterior criada por eles para os primeiros aportes em transmissão, a Arteon Z, está sendo vendida.

"Estamos em processo de venda de nossa participação na Arteon, isso deve ser liquidado nesta semana. Nosso racional é consolidar todos nossos investimentos na MEZ, inclusive com esse recurso da venda", disse Zarzur, que é neto do criador da EZTEC e sócio do pai na nova empresa.

A participação majoritária na Arteon Z foi negociada junto a um fundo de investimentos da corretora XP, que já era sócio minoritário do ativo, explicou ele, sem citar valores.

A MEZ, apesar de mais recente, ultrapassou a coligada em porte, e tem no momento nove concessões para empreendimentos de transmissão, arrematados em leilões ou adquiridos de terceiros.

Esses projetos têm orçamento estimado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2,78 bilhões de reais, contra cerca de 320 milhões em aportes estimados nos ativos da Arteon Z, segundo Zarzur.

CRESCIMENTO

Mesmo com uma expansão acelerada desde que foi estabelecida, a MEZ seguirá avaliando possíveis oportunidades, neste momento com foco em transmissão, apontou o CEO.

A companhia mantém interesse tanto em leilões de novos projetos pelo governo, mirando ativos que tenham sinergia com sua carteira, quanto em aquisições.

"A gente sempre vai olhar para boas oportunidades. Mas o que posso dizer é que agora vamos ser muito mais seletivos, com certeza", disse Zarzur.

Em paralelo, a MEZ lançou um braço de comercialização de energia e tem desenvolvido projetos próprios de geração solar e de pequenas centrais hidrelétricas.

A intenção é tirar projetos do papel com a venda da produção futura em contratos no mercado livre de eletricidade, onde grandes empresas negociam diretamente seu suprimento.

Leilões promovidos pelo governo para novos projetos de geração não estão no radar por ora devido aos preços baixos das últimas licitações, disse Zarzur.

"Temos olhado alguns projetos, terrenos, temos feito planos de análise de viabilidade. O intuito da comercializadora é, quando tiver os projetos de geração, conseguir essa viabilização de contratos (PPAs), porque os leilões hoje não fecham a conta."

Mas a primeira prioridade da companhia é levar adiante os projetos de transmissão adquiridos desde 2019.

"Diria que 2021 vai ser um ano de consolidação nossa, focado na obtenção das licenças, nas obras. O primeiro projeto de geração aqui dentro fica para 2022", disse o CEO.

"A MEZ é um projeto que a gente está criando para ser uma empresa nossa de longo prazo, senão não teríamos colocado nosso nome nela", acrescentou Zarzur. "Queremos nos consolidar como um player do setor".

Segundo o executivo, o grande diferencial da companhia frente a rivais está em ter uma empresa de construção associada a seu grupo controlador, o que permite maior competitividade na disputa por ativos.

"Nossas concessões contratam nossa construtora para executar as obras e acabam tendo obviamente um orçamento muito mais otimizado. A construtora não tem margem em cima de nossa transmissora. E a gente consegue manter muito mais controle do cronograma de obras e da qualidade."

Para financiar os projetos, a MEZ tem avaliado, além de recursos próprios, a obtenção de financiamentos com bancos de fomento como BNDES e BNB e a possibilidade de emissão de debêntures de infraestrutura.