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Dólar recua ante real após ganhos da véspera com política e decisões de juros no radar

16/03/2021 09h14

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar operava em queda contra o real nesta terça-feira, depois de ter registrado forte avanço no pregão anterior, com os investidores monitorando os desdobramentos políticos envolvendo o Ministério da Saúde enquanto aguardavam as decisões de política monetária do Banco Central e do Federal Reserve.

Às 10:47, o dólar recuava 0,97%, a 5,5835 reais na venda, depois de ter avançado 1,42% na segunda-feira, a 5,6383 reais na venda. O principal contrato de dólar futuro tinha queda de 0,59%, a 5,587 reais.

Segundo Thayná Vieira, analista da Toro Investimentos, chamava a atenção dos investidores nesta terça-feira a escolha do médico cardiologista Marcelo Queiroga para assumir o Ministério da Saúde no lugar do general Eduardo Pazuello, a terceira troca de cargo em menos de um ano no posto e que ocorre no pior momento da pandemia de coronavírus do país.

O presidente Jair Bolsonaro anunciou o nome de Queiroga ao final de um dia em que outra sondada, a médica Ludhmila Hajjar, havia rejeitado assumir o cargo. Bolsonaro disse que Queiroga vai dar continuidade ao trabalho de Pazuello e que agora o governo vai para uma atuação "mais agressiva" contra a Covid-19.

O Brasil registrou na segunda-feira 1.057 novos óbitos em decorrência da doença, o que eleva o total de vítimas fatais no país a 279.286.

Enquanto isso, disse Vieira, os investidores ficavam atentos à reunião de política monetária do Banco Central, que será concluída na quarta-feira, em meio a ampla expectativa dos investidores de elevação da taxa Selic.

Uma pesquisa da Reuters com analistas mostrou que a autarquia deve promover um aumento de 50 pontos-base nos juros básicos, o que marcaria a primeira alta da taxa em quase seis anos e o início de um ciclo de aperto monetário para enfrentar a alta da inflação, o aprofundamento da incerteza fiscal e uma taxa de câmbio fraca.

A elevação da Selic, ao aumentar o diferencial de juros entre o Brasil e outros países, tende a tornar alguns rendimentos domésticos mais atraentes, o que pode chamar maiores entradas de capital e, consequentemente, favorecer a moeda doméstica.

Também na quarta-feira, o banco central dos Estados Unidos encerrará sua reunião de política monetária de dois dias, e Vieira disse que os investidores ficarão atentos principalmente a comentários do Federal Reserve sobre a alta recente dos rendimentos dos Treasuries de longo prazo, que têm refletido expectativas de aceleração da inflação na maior economia do mundo. A maior parte dos analistas acredita que o Fed vai deixar sua taxa de juros inalterada.

Embora oferecesse algum alívio para o real nesta manhã, o dólar segue num patamar elevado, e já sobe cerca de 7,5% contra o real no acumulado de 2021. No início da semana passada, a divisa norte-americana chegou a flertar com a marca de 5,88 reais na venda.

Para Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, isso é resultado de um cenário doméstico recheado de incertezas, que vão dos atrasos na agenda de reformas do governo ao recrudescimento da pandemia, e que afetam a confiança do investidor estrangeiro no Brasil.

"O investidor é primordial para a economia do Brasil, e quem vai investir aqui quer ter certezas" explicou ele à Reuters. "O mercado fica à mercê de medidas mais restritivas (de combate à pandemia), da politização da crise sanitária... E a agenda de reformas está parada; a gente vai ficando para trás", disse Galhardo, citando também a incerteza representada pelos temores de intervenção do governo em empresas estatais.

Ele chamou a atenção para o posicionamento do Banco Central diante desse cenário de fraqueza do real, depois que a instituição marcou presença nos mercados de câmbio nos últimos dias com leilões de novos contratos de swap tradicional e até de dólar à vista.

"O BC fica enxugando gelo. Ele tem dado a liquidez que a gente poderia estar recebendo do exterior via investimentos caso os investidores estivessem confortáveis."

Nesta terça-feira, o Banco Central fará leilão de swap tradicional para rolagem de até 16 mil contratos com vencimento em dezembro de 2021 e abril de 2022.