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CORREÇÃO (OFICIAL)-Sabesp avalia risco e retorno para saber se participa de leilão da Cedae

30/03/2021 14h09

(No 10º parágrafo, empresa corrigiu data mencionada de prazo do projeto Rio Pinheiros para final de 2022, não 2023)

(No 10º parágrafo, empresa corrigiu data mencionada de prazo do projeto Rio Pinheiros para final de 2022, não 2023)

SÃO PAULO (Reuters) - A Sabesp, maior empresa de água e saneamento do Brasil, avalia participação no leilão de ativos da companhia fluminense Cedae, afirmaram executivos nesta terça-feira.

O leilão da Cedae deve ocorrer no final de abril. Na semana passada, o secretário da Casa Civil do Rio de Janeiro, Nicola Miccione, afirmou que a disputa pode gerar um ágio de 30% a 40% sobre o valor da outorga mínima de 10,6 bilhões de reais.

"Só vamos entrar (no leilão da Cedae) se tiver viabilidade financeira e se os riscos não forem tão grandes para a companhia", afirmou o presidente da Sabesp, Benedito Braga Junior, em teleconferência com analistas e jornalistas. "Se tiver retorno importante, por que não?", acrescentou.

No ano passado, a Sabesp participou do leilão de concessão de serviços de água e esgoto da região metropolitana de Maceió em conjunto com a Iguá Saneamento. O consórcio apresentou a segunda maior oferta da disputa, vencida pela BRK Ambiental.

As ações da Sabesp exibiam alta de 0,4% às 13h58, enquanto o Ibovespa tinha ganho de 1%.

Braga afirmou ainda que a Sabesp está fortalecendo sua área de novos negócios, e contratou assessoria econômica e financeira para ajudá-la em eventuais oportunidades em saneamento, que recebeu impulso com o novo marco legal do setor no ano passado.

Questionado a revisão tarifária, em andamento na agência reguladora paulista Arsesp, Braga afirmou que a proposta atual "é boa" para a companhia e que a autarquia está avaliando o pleito da Sabesp sobre a necessidade de que a revisão econômica e financeira se dê com base em cada ano, em vez de considerar um período de vários anos.

"Tenho impressão que nós não deveremos ter um problema aí. O regulador vai olhar com cuidado esse ponto", disse o executivo.

Ele afirmou que a proposta deve trazer de volta grandes consumidores ao mesmo tempo em que a companhia pretende dobrar o número de consumidores da tarifa social, voltada à baixa renda.

Na frente do projeto de despoluição do rio Pinheiros, um dos mais importantes investimentos da Sabesp, Braga afirmou que a companhia está andando mais rápido que o esperado e que a meta de ter o rio "em condições de uso de lazer e turismo" até o final de 2022 será cumprida.

A Sabesp tem um plano de investimento de cerca de 21 bilhões de reais até 2025, dos quais cerca de 13 bilhões serão dedicados à coleta e tratamento de esgoto. Em 2021, a previsão de investimento é de 4,17 bilhões de reais.

O diretor financeiro da Sabesp, Rui Affonso, afirmou que 2021 ainda será um "ano de transição", em meio aos impactos da pandemia de coronavírus, e que isso ainda traz incertezas sobre o quadro de custos da companhia.

"Algo de home office nós manteremos...Mas totalmente home office, claro que não", afirmou o executivo.

Segundo ele, a companhia mantém política de reduzir sua exposição cambial, mas sem perder oportunidades de custos menores apresentadas por organismos multilaterais, como a agência japonesa de incentivo ao desenvolvimento Jica e o Bird.

"A companhia nunca teve paixão por exposição (a dívida) em moeda estrangeira...A orientação geral é nos expormos cada vez menos à volatilidade cambial sem descuidar do acesso privilegiado a organismos internacionais", afirmou Affonso.

O executivo afirmou ainda que os índices pluviométricos sobre as bacias que abastecem a região metropolitana de São Paulo "continuam abaixo da média histórica e inspiram atenção". Porém, após obras de interligações, o nível de armazenamento de água dos mananciais "apresenta situação sob controle".

Em março até esta terça-feira, a pluviometria sobre o sistema Cantareira, o principal da Sabesp, ficou 17,3% abaixo da média histórica de 176,2 milímetros, segundo dados da companhia.

(Por Alberto Alerigi Jr.; edição de Aluísio Alves)