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Fed sinaliza corte de estímulos "em breve" e alta de juros em 2022

22/09/2021 18h02

Por Howard Schneider e Jonnelle Marte

WASHINGTON (Reuters) - O Federal Reserve abriu nesta quarta-feira o caminho para reduzir suas compras mensais de títulos "em breve" e sinalizou que aumentos nas taxas de juros podem ocorrer mais rapidamente do que o esperado, com nove dos 18 membros votantes do banco central dos EUA projetando custos de empréstimos mais altos em 2022.

As atualizações, incluídas no mais recente comunicado de política monetária do Fed e em projeções econômicas separadas, representam uma inclinação "hawkish" (voltada para redução de estímulos monetários) por um banco central que vê a inflação em 4,2% neste ano, mais do que o dobro de sua meta, e que está se posicionando para agir contra ela.

Essa ação pode prosseguir lentamente, com as taxas de juros subindo para 1% em 2023, mais rápido do que o projetado pelo Fed em suas estimativas de junho, e depois para 1,8% em 2024, o que ainda seria considerado uma postura de política monetária frouxa.

A inflação ao longo desse tempo poderia ficar ligeiramente acima da meta de 2% do Fed, o que seria consistente com sua nova abordagem mais tolerante ao ritmo dos aumentos de preços, enquanto se espera que o desemprego caia para perto do nível pré-pandemia de 3,5%.

Os membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês, colegiado do Fed que decide os rumos da política monetária) também reduziram suas expectativas de crescimento econômico neste ano, com o Produto Interno Bruto (PIB) devendo crescer 5,9%, ante taxa de 7,0% projetada em junho.

Ainda assim, as mudanças mostram as direções entre integrantes do Fed, divididos quanto ao fator que constitui o maior risco: o impacto contínuo da pandemia do coronavírus na economia ou a ameaça de uma explosão da inflação.

Embora nenhuma decisão tenha sido tomada sobre o ritmo e o tempo exatos de como o banco central reduzirá suas compras de ativos, o chair do Fed, Jerome Powell, disse parecer "apropriado" que a redução gradual possa começar "em breve" e ser concluída em meados de 2022.

"Os participantes geralmente consideram que, enquanto a recuperação continuar no caminho certo, um processo de redução gradual (de estímulos) a ser concluído em meados do próximo ano provavelmente será apropriado", disse Powell em coletiva de imprensa após a conclusão de dois dias de encontros de política monetária.

Powell disse a jornalistas que as condições financeiras permaneceriam acomodatícias mesmo depois que o Fed parasse de comprar títulos do Tesouro e títulos lastreados em hipotecas e enfatizou que a decisão sobre o programa de compra de títulos é separada de quaisquer ações relacionadas às taxas de juros.

O Fed manteve nesta quarta-feira sua atual meta de taxa de juros em uma faixa de zero a 0,25%.

"É provavelmente um pouco mais 'hawkish' do que muitos teriam previsto, basicamente reconhecendo que se a economia continuar a crescer como vimos isso justificaria uma redução gradual", disse Sam Stovall, estrategista-chefe de investimentos da CFRA Research em Nova York. "Você poderia dizer que é um anúncio de redução gradual, embora eles tenham reduzido sua previsão de PIB para 2021."

RECUPERAÇÃO MAIS LENTA

Embora tenha reconhecido que o novo surto da pandemia tenha desacelerado a retomada de alguns setores da economia, os indicadores gerais "continuaram a se fortalecer", disse o Fomc em seu comunicado de política monetária. A decisão sobre os juros foi unânime.

Se esse progresso continuar "amplamente como esperado, o Comitê julga que uma moderação no ritmo de compras de ativos pode se justificar em breve", disse o Fomc.

Powell disse nesta quarta-feira que as autoridades poderiam decidir logo na próxima reunião de política monetária, em novembro, se os critérios do lado do emprego e da inflação terão sido cumpridos e tomar uma decisão quanto a diminuir ou não as compras de ativos.

Mas foi em suas perspectivas econômicas mais amplas que os formuladores de política monetária do Fed fizeram uma mudança menos esperada.

A mediana das estimativas para a inflação de 2021 saltou 0,8 ponto percentual, enquanto a taxa de desemprego vista para o fim deste ano subiu. Por sua vez, dois membros anteciparam para 2022 a expectativa para elevação dos juros ante o patamar atual perto de zero, o que foi suficiente para aumentar a mediana dos prognósticos para 0,3% no próximo ano.

O corte nas expectativas de crescimento do PIB para 2021 refletiu preocupações de que o coronavírus esteja pesando sobre a economia.

"Os setores mais afetados pela pandemia melhoraram nos últimos meses, mas o aumento nos casos de Covid-19 retardou sua recuperação", disse o Fed em seu comunicado de política monetária.

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