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Após pedido de vista, TCU tenta evitar atraso em privatização da Eletrobras

Ministro Vital do Rêgo pediu vista em processo que analisa privatização da Eletrobras - Reprodução
Ministro Vital do Rêgo pediu vista em processo que analisa privatização da Eletrobras Imagem: Reprodução

Letícia Fucuchima

Em São Paulo

15/12/2021 13h45Atualizada em 15/12/2021 14h03

O TCU (Tribunal de Contas da União) decidiu acatar o pedido de vista do ministro Vital do Rêgo sobre o processo de privatização da Eletrobras, ao mesmo tempo em que os integrantes do colegiado tentam não atrasar o cronograma da desestatização, previsto para maio de 2022.

Apesar do pedido de vista, que potencialmente poderia atrasar o processo, o TCU determinou a inclusão, no acórdão, de uma autorização para que o governo possa prosseguir com as próximas etapas da desestatização da estatal.

A sugestão de incluir essa permissão veio do ministro Benjamin Zymler, que expressou preocupação com um potencial atraso.

Não ficou claro imediatamente qual é o efeito prático dessa decisão da corte, uma vez que, como alguns ministros apontaram, as próximas etapas do processo de privatização dependem do valor de outorga, que está sendo apreciado pelo TCU.

A realização de uma reunião extraordinária na próxima quarta-feira (22) para discutir o processo ainda depende da redação final do acórdão do TCU, segundo disse a assessoria de imprensa do tribunal.

Na leitura de voto, o relator do processo, o ministro Aroldo Cedraz, disse considerar a privatização da Eletrobras como uma medida importante para o país, mas apontou uma série de falhas no processo, determinando que o governo faça ajustes em cálculos que envolvem o VAC (valor adicionado dos contratos) da estatal.

Na exposição, Cedraz mostrou que o VAC, inicialmente estimado em R$ 62,4 bilhões, poderia cair para R$ 56,8 bilhões com os ajustes indicados pelo TCU.

Com isso, o bônus de outorga que a Eletrobras pagará à União pela renovação de concessões hidrelétricas pode cair de R$ 23,2 bilhões para R$ 20,3 bilhões.

Já os valores que seriam destinados à CDE (Conta de Desenvolvimento Energético) passariam de R$ 29,8 bilhões para R$ 26,9 bilhões.

Segundo Cedraz, o Ministério de Minas e Energia acatou algumas das críticas e ressalvas feitas pela corte às premissas usadas para o cálculo do VAC.

Ainda durante sua exposição, Cedraz afirmou ter "preocupação em relação ao modo com que está sendo levada a termo a desestatização".

Vital do Rêgo já havia anunciado sua intenção de pedir vista antes mesmo que o relator do processo começasse a expor seu voto.

Após a fala do relator, Vital do Rêgo voltou a se manifestar e justificou o pedido de vista pela falta de tempo hábil para um exame pormenorizado dos autos do processo.

O ministro disse que a desestatização da Eletrobras demanda "cuidado extraordinário" na análise e apontou preocupações com possíveis impactos da privatização às tarifas de energia para os consumidores.

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