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Dólar zera queda no dia com tensão geopolítica, mas perde valor pela 5ª semana consecutiva

11/02/2022 17h14

Por José de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou perto das máximas da sessão desta sexta-feira, com forte movimento de compra no fim da tarde em meio à piora do humor externo devido à escalada de temores geopolíticos, mas o real ainda teve desempenho melhor do que vários de seus pares, ainda beneficiado pela percepção de que o Brasil hoje está atrativo para novos fluxos de dinheiro.

O dólar à vista chegou ao fim da tarde com variação positiva de 0,07%, a 5,2428 reais, distante da mínima do dia, de 5,1812 reais (-1,11%).

Mesmo na máxima, porém, a alta foi discreta, de apenas 0,15%, para 5,2473 reais.

No fim da tarde, o dólar subia entre 0,1% e 0,5% contra moedas emergentes de perfil parecido com o do real, mas saltava 3,1% contra o rublo russo, que liderava as perdas globais na sessão.

O dólar foi ao piso do dia próximo de 15h30 (de Brasília), mas uma onda de compras puxou a moeda de forma inclinada para cima. Ao mesmo tempo, o dólar saltava no exterior, assim como ouro e petróleo --ativos tradicionalmente sensíveis a questões geopolíticas. Enquanto isso, as bolsas de valores em Nova York foram ladeira a baixo.

Investidores vêm há semanas repercutindo tensões entre Rússia e Ocidente a respeito dos riscos de uma invasão por Moscou sobre o território ucraniano. Mas desta vez as manchetes foram mais explosivas.

A Rússia reuniu tropas suficientes perto da Ucrânia para lançar uma grande invasão, disse o governo dos EUA nesta sexta-feira, ao pedir a todos os cidadãos norte-americanos que deixem o país dentro de 48 horas depois de Moscou endurecer ainda mais sua resposta à diplomacia ocidental.

Um ataque russo poderia começar a qualquer dia e provavelmente se iniciaria por via aérea, disse o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Jake Sullivan.

"Isso ainda pode pressionar bastante o mercado. Essa tensão sempre prejudica", disse Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora, baseado no Estado da Flórida, EUA.

Ele ponderou, no entanto, que o real segurou bem o baque externo.

"Mesmo com a pressão geopolítica e do Fed, o real evoluiu nos últimos dias, assim como a bolsa brasileira. [...] O mercado brasileiro aparenta estar se saindo melhor, e o grande ponto é que você tem a combinação entre fluxos para emergentes e um Brasil visto como atrativo depois de ter o câmbio que mais se desvalorizou", acrescentou.

A tese é endossada pelos números das últimas semanas, que mostraram o real em apreciação mesmo num período em que cresceram tensões geopolíticas e o mercado disparou apostas de aumento mais agressivo da taxa de juros nos EUA --o que poderia absorver liquidez dos emergentes.

Nesta semana, o dólar no Brasil acumulou queda de 1,54% --quinta consecutiva de perdas, na mais longa sequência do tipo desde maio de 2021. No atual período, o dólar registrou baixa de 6,91%.

Em fevereiro, a moeda cedia 1,19%, estendendo a desvalorização no ano para 5,93%. O real divide com o sol peruano o posto de divisa com melhor desempenho global neste ano, numa lista liderada com folga por moedas emergentes de países que também têm apertado a política monetária e que vinham de avaliações mais fracas.

Estrategistas do Barclays mantêm apostas otimistas na taxa de câmbio brasileira, vendo resiliência na classe de moedas emergentes de forma geral pelo histórico favorável em outros momentos de alta de juros nos EUA.