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Com peso de juros nos EUA, Ibovespa tem maior queda desde novembro e fecha pior semana em 6 meses

22/04/2022 18h00

Por Andre Romani

SÃO PAULO (Reuters) - O principal índice da bolsa de São Paulo desabou nesta sexta-feira, acompanhando desempenho em Wall Street e refletindo o tombo da véspera nos mercados norte-americanos, quando a B3 fechou para feriado, diante de perspectiva de um aperto monetário mais agressivo nos Estados Unidos.

Vale, Petrobras e bancos, ativos com maior peso no índice, foram as principais influências para a baixa. Copel foi uma das únicas alta do índice.

O Ibovespa caiu 2,86%, a 111.077,51 pontos, o menor nível de fechamento desde 15 de março e a menor baixa diária desde 26 de novembro. O índice acumula cinco pregões consecutivos de queda. O volume financeiro foi de 28,8 bilhões de reais.

Na semana, o índice caiu 4,39%, o recuo mais intenso desde a semana encerrada em 22 de outubro. Trata-se da terceira baixa semanal seguida.

Os mercados continuaram reagindo nesta sexta-feira à declaração de Jerome Powell, presidente do Federal Reserve (Fed), de que um aumento de 0,50 ponto percentual na taxa de juros dos EUA estará na "na mesa" quando membros do banco central norte-americano reunirem-se para a próxima reunião de política monetária em maio.

"De um modo geral, estamos vendo não só o 'catch-up' (alinhamento) em relação à queda da véspera (nos mercados de ações), mas a continuação" desse movimento, disse Pedro Serra, chefe de pesquisas da Ativa Investimentos.

A afirmação de Powell consolidou a aposta já majoritária de alta de 0,5 ponto. "Não é uma nova realidade, mas uma realidade mais concreta. Então é natural que (mercado) carregue um pouco por alguns dias", disse Lucas Monteiro, operador de multimercados da Quantitas.

Uma bateria de resultados de empresas norte-americanas e europeias e mais visões duras contra inflação de membros de outros bancos centrais de relevância global, como o da zona do euro, também pesaram sobre os mercados. Os principais índices em Wall Street caíram entre 2,6% e 2,8%, após queda de até 2,1% na véspera, enquanto o índice pan-europeu STOXX 600 cedeu 1,8% na sessão.

"Vejo a bolsa com boas oportunidades de longo prazo, mas no curto e médio prazos vejo volatilidade. Se a bolsa voltar a subir daqui a pouco não vai me surpreender. Não acredito que vá entrar em ciclos de alta ou queda muito longos", diz Serra, da Ativa.

Na cena local, ficaram no radar as declarações do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e o quadro político doméstico.

DESTAQUES

- VALE ON tombou 5,8%, maior queda desde o início de novembro e a oitava baixa nas últimas nove sessões, após recuo do preço do minério de ferro na bolsa em Dalian, com preocupações pela fraqueza da demanda na China. A sessão marcou a primeira baixa semanal da commodity em dois meses. Os contratos de minério de ferro haviam subido marginalmente na quinta-feira. CSN ON desabou 7,7%, recuo mais intenso desde final de setembro, e puxou perdas de siderúrgicas.

- PETROBRAS PN e ON mostraram decréscimo de 3,9% e 5%, respectivamente, em meio à redução de 1,6% do petróleo Brent, que subiu na véspera.

- ITAÚ UNIBANCO PN desvalorizou-se 2% e BRADESCO PN teve queda de 1,4%, em sessão negativa também para bancos.

- LOCAWEB ON diminuiu 6,3%, IGUATEMI UNIT reduziu 5,4% e COGNA ON recuou 5,3%.

- ELETROBRAS PNB caiu 4% e ON perdeu 5%, em reação à decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) na quarta-feira após fechamento do mercado que adiou por 20 dias a continuação do julgamento da privatização da companhia. O atraso frustrou expectativas do governo de realizar até maio a capitalização da estatal. O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, projetou conclusão da oferta de capitalização até julho.

- NATURA ON fechou 3,4% no negativo, estendendo perdas após tombo de 15,6% na quarta-feira, em meio a rumores de mercado de que a empresa reportaria números fracos para o trimestre. Na noite da véspera, a empresa divulgou expectativa de queda de 12,7% a 13,3% na receita líquida em reais no primeiro trimestre ante igual período do ano anterior, enquanto a margem Ebitda ajustada deve cair para entre 7,0% e 7,3%. O Citi cortou recomendação e o preço-alvo da ação.

- KLABIN UNIT caiu 0,2%. A empresa anunciou reajuste de 30 dólares a tonelada nos preços da celulose de fibra curta a partir de 1 de maio na China.

- COPEL PNB subiu 1,6%, RAIA DROGASIL ON avançou 0,2% e AMBEV ON ganhou 0,1%, sendo as únicas ações do índice a fechar no positivo.