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BC aumenta Selic em 0,5 p.p., para 13,25%, e sinaliza mais um ajuste em agosto

15/06/2022 19h53

SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central elevou a meta Selic em 0,50 ponto percentual, para 13,25% ao ano, seguindo a indicação de que reduziria a intensidade de seu ciclo de aperto monetário para conter a inflação, mas surpreendeu ao dizer que antevê um novo ajuste, de igual ou menor magnitude, na reunião de agosto.

Veja comentários de profissionais do mercado financeiro:

ANDREA DAMICO, SÓCIA E ECONOMISTA-CHEFE, ARMOR CAPITAL

"O fato de ele (BC) reconhecer que poderia vir um ritmo menor que 0,50 ponto percentual de alta de juros --ou seja, de 0,25 ponto-- deixa mais clara a intenção dele de parar. Além disso, a inclusão precoce da citação à inflação de 2024 também mostra uma intenção de parar. É como se o BC quisesse suavizar a informação de que não teria espaço para parar de subir os juros considerando as projeções para 2023 --que ele admite que não incorporam o impacto das medidas tributárias sobre preços de alguns setores. Incluindo esse impacto, a inflação do ano que vem pode ficar 50 pontos-base, 70 pontos-base mais alta, já muito próximo do teto da banda de tolerância da meta."

VITOR MARTELLO, ECONOMISTA-CHEFE, PARCITAS INVESTIMENTOS

"A meu ver tentaram manter a mesma mensagem da reunião anterior. A incerteza segue elevada, então é difícil dizer qual será o próximo passo e também dizer se o próximo passo será o último. Eles explicitaram que a sinalização (de alta menor ou igual a 0,50 ponto percentual) é restrita à próxima reunião, da mesma forma como o Copom tem feito desde o início da guerra na Ucrânia. As informações sugerem que de fato a desancoragem (das expectativas de inflação) continua. Uma eventual pausa no ciclo de alta de juros é cada vez mais difícil. Olhando para a redação, dá a entender que ele (BC) ainda não enxerga o fim do ciclo. Os dados vão dizer se ele pode parar ou não."

FERNANDO FENOLIO, ECONOMISTA-CHEFE, WHG

"Comunicado mostrou um ambiente econômico mais incerto para o Banco Central, não só no quesito internacional que a gente já tem testemunhado --reprecificação das taxas de juros globais, aperto das condições financeiras e inflação bastante alta e difícil de ceder--, mas no componente doméstico ele adicionou coisas novas, sobretudo na questão da política fiscal. O BC reconheceu que a política de subsídio ao preço do combustível, se por um lado ajuda a reduzir a inflação no ano corrente, por outro torna o desafio da convergência da inflação no horizonte de 2023 mais difícil. Chamou atenção a projeção de inflação para 2023, agora subindo para 4%, distanciando-se, portanto, da meta de 3,25%. Tudo somado não dava mesmo para ele (BC) anunciar o fim do ciclo de aperto da política monetária agora."

ANDRÉ PERFEITO, ECONOMISTA-CHEFE, NECTON

"Nossa leitura preliminar do comunicado é que a Autoridade Monetária irá elevar em mais 25 pontos-base a taxa básica na reunião dos dias 2 e 3 de agosto. Em alguma medida o FED ajudou o BCB ao subir mais forte sua taxa hoje, afinal o BC norte-americano está entrando com mais firmeza no combate à inflação e esta é um fenômeno global. De certa forma o BCB está tendo agora a ajuda do resto do mundo na tarefa de combater a inflação e isso é uma boa notícia. Vale notar que o Real reagiu bem a alta de juros hoje nos EUA o que sugere resiliência da moeda local. Sendo assim projetamos que o COPOM deve levar a SELIC para 13,5% em agosto e encerrar o ciclo. Vale notar que em agosto estará mais visível uma queda na inflação em 12 meses e isso pode dar ao BCB a ancoragem da inflação que ele espera."

RAFAELA VITORIA, ECONOMISTA-CHEFE, BANCO INTER

"Apesar de não encerrar o ciclo nessa reunião, uma provável alta de 0,25 p.p. no próximo Copom deve ter menor impacto na economia, considerando o aperto que já foi dado até o momento. Com inflação projetada a frente de cerca de 5,5%, o juro real já está em nível bastante contracionista. Aliás, uma desaceleração maior da economia pode contribuir para uma queda até mais rápida da inflação. Além disso, o aperto monetário lá fora também pode resultar em redução da demanda global, e podemos eventualmente ver queda dos preços das commodities e outras matérias primas, ajudando na desaceleração da inflação aqui."

(Por José de Castro; colaborou Marcela Ayres)