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Bolsonaro recebe coração embalsamado de Dom Pedro I com honras de chefe de Estado

23/08/2022 21h37

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Jair Bolsonaro recebeu com as honras militares de um chefe de Estado o coração embalsamado do monarca português Dom Pedro I, que declarou a independência do Brasil de Portugal há 200 anos, no Palácio do Planalto nesta terça-feira, no início das celebrações do bicentenário.

O coração, preservado em formol dentro em um frasco de vidro no interior de uma urna de ouro, chegou ao palácio presidencial em um Rolls Royce aberto ladeado pelos Dragões da Independência e foi recebido por Bolsonaro durante uma salva de canhões. Aviões da Força Aérea sobrevoaram o local.

O coração de Dom Pedro I estava em uma igreja na cidade portuguesa do Porto desde sua morte em Portugal, em 1834. Ele está sendo emprestado por três semanas ao Brasil, onde será exposto como parte das celebrações do aniversário da independência.

Dom Pedro I declarou a independência brasileira em 1822 e foi coroado "imperador" do Brasil depois que seu pai, o rei Dom João VI, retornou a Portugal após a restauração das monarquias européias após a derrota de Napoleão.

Embora Dom Pedro I tenha retornado a Portugal nove anos mais tarde, sua declaração em 7 de setembro de 1822 é aclamada como o marco da independência do Brasil.

"Dois países, unidos pela história, unidos por um coração. Duzentos anos de independência. Em frente, uma eternidade em liberdade. Deus, pátria, família", disse Bolsonaro em um breve discurso.

Críticos de Bolsonaro, que está buscando a reeleição em outubro, disseram que ele está usando a relíquia para impulsionar seu movimento político em torno do Dia da Independência, quando ele planeja reunir apoiadores em atos nas ruas de diversas cidades do país.

"Bolsonaro sequestrou nossos símbolos nacionais, as cores de nossa bandeira, a camisa da nossa seleção de futebol e agora a celebração da independência", disse a historiadora Lilia Schwarcz no podcast O Assunto. "Este é um uso mórbido da história", afirmou.

(Reportagem de Anthony Boadle)