IPCA
0,83 Abr.2024
Topo

Lula critica mercado "frágil" e reitera que governa para o povo

16/02/2023 18h20

BRASÍLIA (Reuters) -O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou nesta quinta-feira a atacar o mercado financeiro, que disse ser muito frágil e precisar de mais seriedade, e afirmou que seu governo é voltado para o povo e para melhorar a qualidade de vida da população, em especial dos mais pobres.

"Quando se fala em responsabilidade fiscal no país está se falando o seguinte: os banqueiros querem ter certeza de que eles vão receber os seus juros todo ano do governo. É isso que eles querem, querem garantir primeiro o deles", disse Lula em entrevista à CNN Brasil.

"É possível gostar de ganhar dinheiro, mas é preciso ter um pouco de responsabilidade social. É preciso saber que o país precisa melhorar de vida", acrescentou.

Desde a eleição, o mercado tem reagido negativamente a diversas afirmações do presidente, em especial quando ele relativiza o que chama de dívida social com a responsabilidade fiscal do governo.

Para o presidente, os ruídos são causados por aqueles que querem fazer especulação.

"Esse mercado é muito frágil, precisa ter um pouco mais de seriedade. Eu, se fizesse o discurso que o Biden fez na semana passada no Congresso, seria chamado de comunista, seria chamado de terrorista. Porque esse mercado está muito conservador", disse Lula, em referência a fala recente do presidente dos EUA, Joe Biden, em que atacou o setor corporativo por tirar vantagem dos consumidores.

Lula, no entanto, afirmou que não existe uma política de enfrentamento em relação ao mercado financeiro. "As pessoas do mercado que são sérias sabem o que está acontecendo no país", disse.

Lula também tem feito críticas ao patamar da taxa Selic, hoje em 13,75%, e ao presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, dizendo que o nível dos juros básicos é injustificável e atrapalha o crescimento econômico do país. Em mais de uma ocasião o petista questionou quais seriam os benefícios da independência do BC, alimentando especulações de que o governo poderia buscar acabar com ela.

(Reportagem de Maria Carolina MarcelloTexto de Alexandre CaverniEdição de Pedro Fonseca)