IPCA
0,42 Fev.2024
Topo

Taxas futuras de juros fecham em alta após críticas de Lula à Selic e antes de feriado no Brasil

06/04/2023 17h00

SÃO PAULO (Reuters) - Após duas sessões de queda, as taxas dos contratos futuros de juros fecharam em leve alta nesta quinta-feira, com investidores repercutindo novas críticas do governo ao atual nível dos juros básicos e ajustando posições antes do feriado de sexta-feira no Brasil, quando saem dados importantes sobre emprego nos EUA.

Profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram que o dia no Brasil foi marcado por liquidez reduzida em todos os mercados, em especial no período da tarde, quando muitas mesas de operações já estavam esvaziadas.

Depois dos recuos mais recentes nas taxas futuras, em especial na ponta longa, os comentários do presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a manhã trouxeram um viés de alta para a curva.

Em café com colunistas em Brasília, Lula afirmou que se a atual meta de inflação está errada, ela deve ser alterada. Além disso, voltou a criticar o patamar da Selic, a taxa básica de juros, hoje em 13,75% ao ano, classificando-o como "incompreensível".

“É no mínimo uma coisa não razoável de ser dita, porque se a meta está errada, muda-se a meta", disse Lula.

A meta da inflação para 2023 é de 3,25%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. Para 2024 e 2025, o patamar estabelecido é de 3%, com a mesma banda de tolerância. Em fevereiro, o IPCA, índice de inflação de referência usado pelo governo, registrou alta acumulada em 12 meses de 5,6%, acima do teto da meta estabelecida para este ano.

A meta de inflação é estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), composto pelos ministros da Fazenda e do Planejamento e pelo presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Desde o início do ano, especula-se que a meta para 2023 pode ser alterada em função da inflação acelerada, o que abriria espaço para a antecipação de cortes na Selic.

Campos Neto, no entanto, tem defendido que a mudança na meta pode ter o efeito contrário, com a piora das expectativas na curva de juros.

Nesta quinta-feira, os vértices mais longos da curva a termo refletiram certo desconforto com a fala de Lula.

Em entrevista à BandNews TV, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, adotou tom conciliador. Segundo ele, está havendo uma "convergência" entre as políticas fiscal e monetária. Haddad também chamou atenção para os elogios mais recentes do BC aos planos do governo para as contas públicas.

Neste contexto, no fim da tarde a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para outubro de 2023 estava em 13,51%, ante 13,495% do ajuste anterior. Já a taxa para janeiro de 2024 estava em 13,25%, ante 13,225% do ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 12,035%, ante 11,968%. Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 11,99%, ante 11,908% do ajuste anterior.

Perto do fechamento, a curva a termo precificava apenas 3% de chances de o BC reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual no encontro de política monetária de maio e 97% de probabilidade de ele manter a taxa em 13,75% ao ano.

No exterior, em meio à expectativa pelos dados de emprego nos EUA nesta sexta-feira –quando é feriado no Brasil– os retornos dos Treasuries também sustentavam altas. Economistas consultados pela Reuters esperam que a criação de vagas de trabalho em março nos EUA tenha sido de 239 mil, após aumento de 311 mil em fevereiro

Às 16:45 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- subia 1,10 ponto-base, a 3,2976%.

(Por Fabrício de Castro)