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Exportações da China têm alta inesperada, mas economistas alertam para fraqueza à frente

13/04/2023 07h32

Por Joe Cash e Ellen Zhang

PEQUIM (Reuters) - As exportações da China aumentaram inesperadamente em março, com as autoridades sinalizando aumento da demanda por veículos elétricos, mas analistas alertaram que a melhora reflete em parte o fato de fornecedores estarem recuperando as encomendas atrasadas após os problemas causados pela Covid-19 no ano passado.

As exportações em março dispararam 14,8% em relação ao ano anterior, interrompendo cinco meses consecutivos de quedas e surpreendendo economistas, que previam uma queda de 7,0% em pesquisa da Reuters.

Mas analistas dizem que o salto provavelmente está relacionado à pressa dos exportadores para atender a uma carteira de pedidos que foi afetada pela pandemia nos últimos meses, e alertaram que as perspectivas para a demanda global permanecem fracas.

"A onda de surtos de Covid em dezembro e janeiro provavelmente esgotou os estoques das fábricas. Agora que as fábricas estão operando com capacidade total, elas recuperaram os pedidos acumulados do passado", disse Zhiwei Zhang, economista-chefe da Pinpoint Asset Management.

"É improvável que o crescimento forte das exportações se sustente, dadas as fracas perspectivas macro globais", acrescentou.

Enquanto isso, as importações caíram menos do que o esperado, com economistas apontando uma aceleração na compra de produtos agrícolas, especialmente soja.

As importações caíram apenas 1,4%, contra previsão de queda de 5,0% e contração de 10,2% nos dois meses anteriores. Os aumentos nas importações de petróleo bruto, minério de ferro e soja no mês foram compensados por uma queda nas importações de cobre.

Lv Daliang, porta-voz da Administração Geral das Alfândegas, atribuiu a surpresa à força na demanda por veículos elétricos, produtos solares e baterias de lítio.

No entanto, ele alertou que as condições podem piorar daqui para frente.

"O ambiente externo ainda é grave e complicado no momento", disse Lv a repórteres em Pequim na quinta-feira. "A demanda externa lenta e os fatores geopolíticos trarão maiores desafios para o desenvolvimento comercial da China", acrescentou.