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Atividade econômica do Brasil inicia 2023 no vermelho, aponta BC

17/04/2023 09h10

Por Camila Moreira

SÃO PAULO (Reuters) -A atividade econômica brasileira iniciou 2023 com fraqueza em janeiro, de acordo com dados do Banco Central nesta sexta-feira, em um mês marcado por perdas na indústria e em serviços e ressaltando as dificuldades que a economia enfrentará em um ambiente de juros elevados e cenário global desafiador.

O Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br), considerado sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB), teve em janeiro recuo de 0,04% na comparação com o mês anterior, segundo dado dessazonalizado do indicador que é um sinalizador do Produto Interno Bruto (PIB).

O resultado mostra forte perda de tração em relação a dezembro, quando o índice avançou 0,47%, em dado revisado pelo BC de uma alta de 0,29% informada antes, interrompendo série de quatro resultados negativos seguidos.

Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, o IBC-Br teve alta de 3,03%, enquanto no acumulado em 12 meses passou a uma expansão de 3,00%, de acordo com números observados.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve enfrentar no início de seu terceiro mandato uma economia em desaceleração que desde o final de 2022 já enfrentava os efeitos do forte aperto monetário promovido pelo Banco Central, o que foi motivo de fortes críticas do governo.

"Projetamos desaceleração da demanda doméstica e em componentes de oferta cíclicos, devido principalmente à esperada recessão global e aos efeitos da política monetária apertada do Banco Central", avaliou em nota Gabriel Couto, economista do Santander Brasil

"Mas também esperamos forte crescimento da produção agrícola não cíclica, refletindo uma previsão recorde para a colheita de grãos", completou ele, calculando previsão de alta de 0,5% do PIB no primeiro trimestre.

Dados do IBGE mostraram que o PIB brasileiro encolheu 0,2% no quarto trimestre e fechou 2022 em desaceleração frente ao ano anterior, com avanço de 2,9%.

Em janeiro, tanto a indústria quanto o setor de serviços registraram contração. A exceção foram as vendas no varejo, que tiveram alta recorde para o mês desde o início da série histórica, em 2000.

Na última reunião de política monetária, o BC manteve a taxa básica de juros em 13,75%, atraindo novas e fortes críticas do governo, e a expectativa é de manutenção da Selic no encontro de maio, mantendo uma política monetária contracionista.

O mercado prevê para este ano uma expansão do PIB de 0,90%, indo a 1,40% em 2024, de acordo com a pesquisa Focus mais recente.

(Edição de Luana Maria Benedito)