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Queda em receita do setor de máquinas desacelera em março, diz Abimaq

26/04/2023 14h10

Por Patricia VilasBoas

SÃO PAULO (Reuters) -A queda na receita líquida total da indústria de máquinas e equipamentos desacelerou em março, mostraram dados da associação do setor, Abimaq, divulgados nesta quarta-feira.

A receita líquida total do setor apresentou recuo de 0,6% em comparação com mesmo período no ano passado, mas subiu 27,4% (5,9%, com ajuste sazonal) em comparação com fevereiro, de acordo com a Abimaq.

Em fevereiro, a receita líquida da indústria recuou 7,8% em relação ao mesmo período em 2022. Em janeiro, a queda foi de 6,4% na mesma base de comparação.

Apesar da desaceleração na queda, o recuo da receita em março marcou a décima retração consecutiva do faturamento do setor na comparação anual. Segundo a Abimaq, as quedas têm sido causadas por fraqueza no mercado doméstico.

"Nós viemos de uma desaceleração observada no último trimestre do ano passado nos investimentos em todos os segmentos da indústria", disse a diretora-executiva de economia, estatística e competitividade da Abimaq, Cristina Zanella, a jornalistas. Ela ressaltou que os meses de janeiro e fevereiro também apresentaram fracos desempenhos nas vendas no mercado interno.

"Os números de março, especificamente, vieram bons" em comparação com fevereiro, acrescentou, mas "ainda não o suficiente para cobrirem os números do mesmo período do ano passado e muito menos para eliminarem a queda acumulada deste início do ano."

O setor encerrou o primeiro trimestre com queda acumulada de 4,6% na receita total, segundo os dados da Abimaq.

A exportação, contudo, vem ajudando a amortecer a queda no mercado interno. Em março, as vendas externas do setor subiram mais de 24% ante o mesmo período em 2022, e avançaram 16% na base mensal, superando mais uma vez a marca de 1 bilhão de dólares.

"Nossa expectativa é que, agora, com esse início de recuperação (do mercado interno), as coisas comecem a melhorar em termos de investimentos no país, mas ainda temos alguns obstáculos que têm impedido uma melhora mais forte dos investimentos em todos os segmentos", disse Zanella, se referindo aos juros elevados no país.

A entidade acrescentou que o nível de ocupação de capacidade instalada da indústria voltou ao patamar de 78% nos últimos dois meses, uma melhora, mas ainda abaixo dos 79,9% observados em 2022.

A carteira de pedidos, porém, caiu 7,9% sobre março de 2022, atingindo 10,4 semanas em 2023.

(Edição Alberto Alerigi Jr.)