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Fazenda avalia elevar projeção do PIB em 2023, mas não vê pressão inflacionária, diz Haddad

28/04/2023 19h13

SÃO PAULO (Reuters) - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse nesta sexta-feira que sua equipe avalia aumentar a projeção oficial de crescimento do PIB em 2023, após dados recentes que mostraram resiliência do mercado de trabalho e alta da atividade maior do que a estimada, mas ele descartou o risco de o desempenho melhor da economia impor pressão sobre a política de juros do Banco Central.

"O crescimento vai vir sem pressão inflacionária", disse Haddad a jornalistas na portaria do ministério em São Paulo, destacando que a atual capacidade ociosa da economia dá espaço para o aumento da produção sem alta de preços. O ministro voltou a defender a importância da queda dos juros, ressaltando que ela poderá vir "a qualquer momento".

A Fazenda projetou, em março, que o PIB cresceria 1,61% este ano. Haddad ponderou que boa parte dos economistas de mercado estão revendo suas estimativas para cima, com alguns bancos já apostando em alta próxima a 2% em 2023. "Nós mesmos, da Fazenda, estamos pensando em reestimar para mais a expectativa de crescimento para o ano de 2023."

Indicador de atividade econômica do BC para fevereiro, divulgado nesta sexta, surpreendeu positivamente ao registrar uma alta de 3,32%, maior taxa de expansão em pouco mais de dois anos e meio.

Também nesta sexta, o IBGE mostrou que a taxa de desemprego do primeiro trimestre ficou em 8,8%, abaixo do projetado por economistas para o período (9%) e bem inferior ao registrado há um ano (11,1%). Dados do emprego formal na quinta-feira revelaram a criação de 195,2 mil postos de trabalho no mês passado, quase o dobro do esperado.

Haddad afirmou que os bons resultados dependem de um trabalho "que tem que ser continuado", destacando medidas para o estímulo do crédito, do mercado de capitais, do salário mínimo, do reajuste da tabela do imposto de renda. "Tudo isso somando que vai fazer a economia girar satisfatoriamente."

"Abrimos um espaço aí para a redução da taxa de juros, que pode acontecer a qualquer momento", disse Haddad, defendendo que pelo menos a "sinalização do ciclo (monetário)" tem que vir ainda este ano.

Questionado sobre o anúncio feito pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, sobre a política de valorização do salário mínimo, que levará em conta a valorização da inflação e o PIB de dois anos antes, Haddad disse que essa foi a fórmula que deu certo nos governos petistas anteriores.

"Foi a fórmula que ampliou o consumo de massa, que preservou o trabalhador mais humilde, que deu condições para o aposentado comprar o seu medicamento."

(Por Isabel Versiani)