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Novo chefe do BC do Japão mantém juros ultrabaixos e inicia revisão da política monetária

28/04/2023 07h31

Por Leika Kihara

TÓQUIO (Reuters) - O banco central do Japão manteve a taxa de juros ultrabaixa nesta sexta-feira, mas anunciou um plano para revisar seus movimentos anteriores de política monetária, preparando o terreno para o novo presidente, Kazuo Ueda, eliminar gradualmente o enorme programa de estímulo de seu antecessor.

Embora tenha mantido o compromisso de continuar "pacientemente" com a política acomodatícia, o banco central removeu de sua orientação a promessa de que os juros permanecerão em "níveis atuais ou mais baixos", em um movimento que lhe dá mais margem de manobra para um futuro ajuste.

A reunião de estreia de Ueda marcou um início cauteloso para o presidente de 71 anos do Banco do Japão que assumiu o cargo este mês, deixando espaço para que faça mudanças futuras, mas enviando um sinal aos mercados de que não terá pressa.

Em uma coletiva de imprensa, o novo chefe disse que a revisão ampla não estará vinculada a mudanças de curto prazo e enfatizou a necessidade de esperar por mais evidências para concluir que a inflação atingirá de forma sustentável a meta de 2% do Banco do Japão.

"Embora a tendência da inflação esteja aumentando gradualmente, levará algum tempo para atingir nossa meta de inflação", disse Ueda após a decisão amplamente esperada do banco central de não fazer alterações em sua política de controle da curva de rendimento.

"O risco de perdermos nossa meta de preços com um aperto monetário prematuro é maior do que o risco de sofrer uma inflação superior a 2% devido a um aperto tardio. O custo de esperar que a inflação aumente é baixo", disse ele.

Na reunião, o Banco do Japão manteve sua política de controle da curva de rendimento, que estabelece uma meta para a taxa de juros de curto prazo de -0,1% e para o rendimento dos títulos de 10 anos em torno de zero.

O banco central japonês gastará de um ano a um ano e meio na revisão, que examinará várias medidas monetárias não convencionais tomadas nos últimos 25 anos, durante a batalha do Japão contra a deflação e a inflação baixa, disse Ueda.

A ideia é usar as lições aprendidas com a revisão para orientar a política monetária durante seu mandato de cinco anos, disse Ueda, embora tenha acrescentado que o Banco do Japão sempre pode mudar a política monetária antes de concluir a revisão.

(Reportagem adicional de Tetsushi Kajimoto, Kaori Kaneko, Kantaro Komiya, Tom Westbrook e Vidya Ranganathan)