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Criação de vagas de trabalho nos EUA supera expectativas em abril; taxa de desemprego cai para 3,4%

05/05/2023 10h00

Por Lucia Mutikani

WASHINGTON (Reuters) - Os empregadores dos Estados Unidos ampliaram as contratações em abril enquanto aumentavam os salários dos trabalhadores, apontando para uma força sustentada do mercado de trabalho que pode levar o Federal Reserve a manter a taxa de juros mais alta por algum tempo.

A economia dos EUA abriu 253.000 postos de trabalho fora do setor agrícola no mês passado, mostrou o relatório de empregos do Departamento do Trabalho nesta sexta-feira.

Os dados de março foram revisados para baixo para mostrar criação de 165.000 empregos, em vez de 236.000 conforme relatado anteriormente.

Economistas consultados pela Reuters que 180.000 vagas seriam criadas. A abertura de vagas está bem acima da taxa mensal de 70.000 a 100.000 necessárias para acompanhar o crescimento da população em idade ativa.

A taxa de desemprego caiu para 3,4%, de 3,5% em março.

O salário médio por hora subiu 0,5%, após avançar 0,3% em março. Os salários aumentaram 4,4% na comparação anual em abril, após subirem 4,3% em março.

Outras medidas, como o Índice de Custo do Emprego e o rastreador salarial do Fed de Atlanta, também mostram impulso. O crescimento salarial continua forte demais para ser consistente com a meta de inflação de 2% do Federal Reserve.

O Fed elevou sua taxa básica de juros em mais 25 pontos-base na quarta-feira, para a faixa de 5,00% a 5,25%, e sinalizou que pode interromper a campanha de aperto monetário mais rápida do banco central dos EUA desde a década de 1980, embora tenha mantido um viés duro em relação à inflação.

O Fed aumentou sua taxa básica de juros em um total de 500 pontos-base desde março de 2022.

Alguns economistas, no entanto, acreditam que o mercado de trabalho está superestimando a saúde da economia, apontando para a divergência entre gastos do consumidor e ganhos de emprego, bem como um declínio contínuo na produtividade do trabalhador.

Os gastos do consumidor estagnaram em fevereiro e março. A produtividade caiu por cinco trimestres consecutivos na comparação anual, o período mais longo desde que o governo começou a acompanhar a série em 1948.

Economistas também observaram que o crescimento do emprego está se tornando mais concentrado no setor de lazer e hotelaria, bem como nos governos estaduais e locais, setores em que o emprego permanece abaixo dos níveis pré-pandemia.

Com os riscos de uma recessão aumentando devido aos custos punitivos dos empréstimos e condições de crédito mais rígidas em meio ao estresse do mercado financeiro, o cenário de contratações pode mudar rapidamente.

Por enquanto, o consenso geral é de que a economia continuará gerando empregos pelo menos até o quarto trimestre.