Petroecuador diz que planeja fechar bloco de petróleo na Amazônia após referendo

Por Alexandra Valencia

QUITO (Reuters) - A Petroecuador, empresa estatal de petróleo do Equador, disse nesta segunda-feira que planeja encerrar um grande projeto de perfuração na reserva ecológica de Yasuni, na floresta amazônica, em agosto próximo, após um referendo para encerrá-lo a fim de proteger a natureza e os povos indígenas.

O presidente-executivo da Petroecuador, Reinaldo Armijos, disse aos repórteres que a empresa tem um plano para o fechamento gradual do bloco 43-ITT, que atualmente bombeia cerca de 57.000 barris por dia (bpd).

Em uma votação saudada por ativistas ambientais e indígenas, os eleitores em agosto optaram por encerrar a produção no bloco 43-ITT em um esforço para proteger melhor a reserva Yasuni, um parque nacional localizado na Amazônia, no nordeste do Equador.

A flora e a fauna afetadas pela produção de petróleo na reserva levarão muitos anos para se recuperar, disse o ministro do Meio Ambiente, José Davalos, em setembro.

Armijos disse que o custo inicial para encerrar o projeto é estimado em 600 milhões de dólares. Ele também observou que a perda de receita do projeto devido à suspensão iminente provavelmente totalizará cerca de 680 milhões de dólares no próximo ano.

A produção de petróleo bruto da estatal está atualmente em cerca de 400.000 bpd.

O Equador é um dos produtores de petróleo de médio porte da América Latina, atrás dos pesos pesados da região, como Brasil, México e Colômbia.

Armijos disse que a produção provavelmente terminará em agosto próximo, com cerca de 41.000 bpd, antes que o projeto, que entrou em produção em 2016, seja encerrado. Ele enfatizou que o novo presidente Daniel Noboa, que assumirá o cargo no final de novembro, terá a última palavra sobre o status do bloco.

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Noboa já disse anteriormente que respeitará a vontade dos eleitores de encerrar o projeto.

Os contratos de perfuração no 43-ITT permanecerão em vigor até o final deste ano e, a partir de janeiro, a Petroecuador não tentará manter sua produção, acrescentou Armijos.

O fechamento do projeto também deve impactar o oleoduto OCP, que passará para o controle do governo no próximo ano.

Grupos ambientalistas e comunidades indígenas locais descreveram a votação para o fechamento do projeto petrolífero como um passo histórico para reduzir os efeitos nocivos das mudanças climáticas.

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