Azul reduz previsão para resultado operacional em 2023, mas melhora para 2024

(Reuters) -A Azul reduziu sua previsão para o resultado operacional medido pelo Ebitda em 2023, citando redução de capacidade e volatilidade no preço do combustível, mas elevou sua projeção para 2024.

A Azul, que também reportou resultado melhor do que o esperado nesta manhã, afirmou que agora espera um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de cerca de 5,2 bilhões de reais, de 5,5 bilhões de reais anteriormente.

A companhia explicou em fato relevante que o ajuste está atrelado à redução em sua projeção para a oferta total, que deve crescer 11% neste ano frente a 2022. A projeção anterior considerava uma expansão de 14%.

"O ajuste (na oferta)... deve-se principalmente aos atrasos dos fabricantes na entrega de novas aeronaves e à alta nos preços do combustível", afirmou a empresa.

A Azul também melhorou a previsão da métrica de receita RASK no quarto trimestre de 2023 de estável para aumento de 3% a 5%, enxergando um ambiente de demanda robusto nos mercados doméstico e internacional combinado com o ajuste esperado na capacidade.

Para 2024, a perspectiva para o Ebitda passou de maior que 6 bilhões para cerca de 6,3 bilhões de reais, uma vez que a companhia espera continuidade força na demanda e a um maior aumento no recebimento de aeronaves de última geração na frota.

Por volta de 13:30, as ações da Azul disparavam 9,10%, a 16,79 reais, tendo chegado a 16,80 reais na máxima até o momento, entre os melhores desempenhos do Ibovespa, que subia 2,4%.

"Continuamos animados com o ambiente do setor, com demanda robusta, forte dinâmica de tarifas e adição disciplinada de capacidade, especialmente durante a alta temporada que se aproxima", afirmou o CEO da Azul, John Rodgerson, em comunicado.

Em teleconferência com analistas, executivos da companhia também ressaltaram que a demanda de voos da Azul para a Europa está bastante resiliente, enquanto nos Estados Unidos está mais volátil, mas parece boa para dezembro e janeiro.

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Analistas da Goldman Sachs, que têm a Azul como o nome preferido entre as companhias aéreas latino-americanas, disseram que o novo guidance estava em grande parte alinhado com suas expectativas.

“A empresa deve manter o poder de precificação, já que toda a indústria permanece racional e focada na reconstrução da lucratividade”, disseram. “Isso deve permitir o repasse de custos às tarifas e abrir espaço para expansão de margens.”

Nos três meses encerrados em 30 de setembro, a Azul registrou um Ebitda recorde de 1,55 bilhão de reais, um aumento de 67,7% em relação ao ano anterior. Projeções compiladas pela LSEG apontavam Ebitda de 1,34 bilhão de reais.

A receita operacional líquida total aumentou 12,3%, para a cifra também recorde de 4,91 bilhões de reais, um pouco abaixo das projeções de analistas, que apontavam 4,99 bilhões de reais.

Analistas do Citi também destacaram que a teleconferência sobre os resultados realizada nesta terça-feira teve um tom otimista, com a administração da companhia destacando a geração de receita, o Ebitda e as margens superando níveis pré-pandemia.

A Azul também ajustou sua previsão de alavancagem em 2023 de cerca de 3,5 para cerca de 3,7 vezes e manteve a perspectiva para 2024 em cerca de 3 vezes.

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(Por Gabriel Araujo e Paula Arend Laier)

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