Cemig desaba com possibilidade de federalização da companhia

Por Paula Arend Laier e Leticia Fucuchima e Ricardo Brito

SÃO PAULO (Reuters) - As ações da Cemig aceleraram as perdas nesta quarta-feira para mais de 14% refletindo preocupações com a possibilidade de a empresa de energia elétrica de Minas Gerais passar a ser controlada pela União, ampliando a perda desde o começo da semana para quase 20% no pior momento da sessão.

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), concordou com uma proposta apresentada pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), de repassar parte dos ativos do Estado, como a estatal elétrica, para equacionar a dívida bilionária com a União, de aproximadamente 160 bilhões de reais, disseram duas fontes à Reuters.

A informação foi confirmada pelas assessorias de Pacheco e do governo de Minas Gerais. Zema está, no momento, em reunião com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para tratar do assunto.

Às 16:30, as ações preferencias da Cemig caíam 11,3%, a 11,15 reais, pior desempenho com folga do Ibovespa, que subia 0,16%. Na mínima, os papéis chegaram a 10,76 reais (-14,40%). Na segunda-feira, as ações caíram 2,8% e na terça-feira fecharam em baixa de 3,2%. No mesmo horário, Copasa perdia 5,99%, a 17,58 reais

Em relatório enviado na segunda-feira, comentando sobre reportagem da Folha de S. Paulo a respeito da proposta de Pacheco, analistas do Itaú BBA afirmaram ver uma potencial federalização "como muito negativa" para a Cemig e a Copasa, "pois provavelmente resultaria em uma mudança na equipe de gestão e nos planos estratégicos dessas empresas".

A equipe liderada por Marcelo Sá ressaltou que a Cemig e a Copasa possuem equipes de gestão muito boas, que têm conseguido implementar mudanças para melhorar a eficiência das empresas, apesar das restrições de sendo empresas estatais.

"Dado o caminho desafiador da federalização, não entraríamos em pânico com esta notícia. No entanto, não compraríamos a Cemig devido à fraqueza de hoje (segunda-feira), pois poderá haver mais fluxo de notícias políticas negativas nas próximas semanas", afirmaram no relatório.

(Por Paula Arend Laier e Letícia Fucuchima, em São Paulo, e Ricardo Brito, em Brasília)

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