Dólar cai no Brasil acompanhando movimento global da divisa em meio a queda dos Treasuries

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - Após quatro sessões em que ficou praticamente estável ante o real, o dólar à vista fechou a terça-feira em baixa no Brasil, acompanhando o recuo firme da moeda norte-americana no exterior, após um novo dia de queda das taxas de juros dos títulos dos EUA, na esteira de novos dados econômicos.

O dólar à vista fechou o dia cotado a 4,8730 reais na venda, em baixa de 0,54%. Em novembro, a moeda acumula queda de 3,32%.

Na B3, às 17:13 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,47%, a 4,8725 reais.

Pela manhã, o dólar chegou a subir ante o real, em movimento que coincidia com a alta dos juros futuros no Brasil após a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) em novembro (+0,33%). Às 10h50, a divisa à vista dos EUA foi cotada na máxima de 4,9101 reais (+0,21%).

O viés de alta para o dólar no Brasil, no entanto, não se sustentou em função do exterior, que puxava as cotações para baixo. A divulgação de novos números sobre a economia norte-americana por volta das 12h pesou sobre os rendimentos dos Treasuries e sobre o dólar lá fora, que se firmou em baixa ante praticamente todas as demais divisas.

Um relatório do Conference Board mostrou que seu índice de confiança do consumidor norte-americano subiu para 101,0 em novembro -- acima dos 99,1 no mês anterior, mas abaixo dos 102,0 esperados pelos economistas.

Já o índice manufatureiro composto do Federal Reserve de Richmond atingiu -5 em novembro, ante +3 em outubro. O indicador de remessas de manufaturas atingiu -8 em novembro, ante +9 em outubro.

Na esteira dos números norte-americanos o dólar à vista marcou a mínima de 4,8581 reais (-0,85%) às 12h41.

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“Com o recuo dos rendimentos dos Treasuries e enquanto investidores aguardam novos indicadores e pronunciamentos de membros das principais autoridades monetárias, o dólar continua sem força para voltar a se valorizar globalmente”, afirmou durante a tarde Diego Costa, head de câmbio para Norte e Nordeste da B&T Câmbio, em comentário enviado a clientes.

Durante a tarde, comentários de uma autoridade do banco central dos EUA reforçaram o viés de baixa para o dólar. O diretor do Fed Christopher Waller sinalizou a possibilidade de a instituição reduzir sua taxa básica nos próximos meses, caso a inflação continue a cair. Ele também disse estar "cada vez mais confiante" de que o nível atual da taxa é adequado para reduzir a inflação à meta de 2%.

Já o presidente do Fed de Nova York, John Williams, disse que as expectativas de inflação de longo prazo têm se mantido encorajadoramente estáveis. Ele também saudou o declínio das pressões de preços.

Dois profissionais ouvidos pela Reuters pontuaram que, apesar da queda, o dólar seguia enfrentando no Brasil uma resistência técnica forte quando as cotações se aproximavam dos 4,84 reais.

O fato de a taxa básica Selic estar em um ciclo de cortes -- o que reduz a atratividade do Brasil ao capital internacional -- e a expectativa por fluxo de saída de dólares no fim de ano, como ocorre tradicionalmente, são dois fatores que têm justificado esta resistência técnica.

No exterior, no fim da tarde, o dólar seguia em queda firme ante as divisas fortes e caía ante praticamente todas as moedas de emergentes e exportadores de commodities.

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Às 17:13 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- caía 0,30%, a 102,830.

Pela manhã, o BC vendeu todos os 5.360 contratos de swap cambial tradicional ofertados na rolagem dos vencimentos de janeiro.

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