Ibovespa fecha em queda com tombo de Petrobras e realização de lucros

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa fechou em queda nesta quarta-feira, com Petrobras respondendo pela maior pressão negativa, em meio ao forte declínio do petróleo no exterior, enquanto a fraqueza em Wall Street endossou movimentos de realização de lucros na bolsa paulista, apesar de nova queda nos rendimentos dos Treasuries.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,01%, a 125.622,65 pontos. Na máxima do dia, chegou a 127.537,55 pontos. Na mínima, a 125.614,35 pontos. O volume financeiro somou 22,75 bilhões de reais.

"A nossa visão é que estamos entrando em um período de realizações após a alta expressiva em novembro", afirmou o analista Luis Novaes, da Terra Investimentos, chamando atenção também para a pressão no índice em razão da queda de Petrobras, acompanhando o recuo do petróleo no exterior.

Em novembro, o Ibovespa acumulou alta de 12,54%, maior ganho mensal desde novembro de 2020.

Antes da piora, dados sobre a criação de empregos no setor privado dos Estados Unidos mais fracos do que o esperado em novembro divulgados pela manhã fizeram o Ibovespa tocar a máxima do dia, uma vez que reforçaram perspectivas de que o Federal Reserve não elevará mais os juros na maior economia do mundo.

Mas o fôlego comprador arrefeceu na sequência, com o Ibovespa fechando na mínima em quase duas semanas.

As atenções agora se voltam para o relatório do Departamento de Trabalho dos EUA de novembro, previsto para a sexta-feira, com projeções compiladas pela Reuters apontando a criação de 180 mil empregos na folha de pagamento não agrícola.

DESTAQUES

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- PETROBRAS PN recuou 3,60%, a 33,50 reais, em dia de queda dos preços do petróleo no exterior, com o barril de Brent fechando em baixa de 3,76%, após um aumento maior do que o esperado nos estoques de gasolina nos EUA adicionar preocupações em relação à demanda. No setor, PRIO ON caiu -3,99%, PETRORECONCAVO ON cedeu -4,33% e 3RPETROLEUM ON perdeu -3,48%.

- BRF ON encerrou com declínio de 4,34%, a 13,88 reais, mais uma vez na coluna negativa, após forte valorização em novembro e tendo de pano de fundo relatório do JPMorgan cortando a recomendação das ações para "neutra", com os analistas afirmando que esperam um melhor ponto de entrada ou maior visibilidade da margem de frango no futuro. O preço-alvo permaneceu em 15,50 reais.

- VALE ON caiu 0,66%, a 72,37 reais, revertendo a alta dos primeiros negócios e engatando a terceira queda seguida, apesar do avanço dos futuros de minério de ferro na bolsa de Dalian, com o contrato mais negociado encerrando as negociações diurnas em alta de 1,9%.

- GPA ON subiu 3,92%, a 3,98 reais, em dia de Investor Day da companhia, com executivos reforçando guidance de melhora na margem Ebitda no próximo ano, que veem como um componente para ajudar nos planos de reduzir significativamente a alavancagem em 2024. O GPA também afirmou que está avançando no processo de venda de sua sede e da sua rede de postos de combustíveis, mas um desfecho é esperado apenas para o próximo ano.

- RAÍZEN PN avançou 2,89%, a 3,56 reais, após fechar na véspera com um tombo de mais de 5%, em meio a ruído sobre a Petrobras voltar a ter postos de combustíveis. De acordo com reportagem do Valor Econômico, citando uma fonte do alto escalão da estatal, a petrolífera pretende rediscutir as cláusulas de não concorrência com a Vibra para voltar a ter postos de combustíveis no Brasil.

- ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 0,88%, a 31,52 reais, e BRADESCO PN caiu 1,04%, a 16,16 reais, em meio à piora na bolsa paulista, com agentes também monitorando movimentações com potenciais efeitos na tributação do setor.

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- SABESP ON fechou em alta de 1,49%, a 68,99 reais, tendo no radar sessão na Assembleia Legislativa de São Paulo para votar o projeto de lei que autoriza a privatização da companhia de saneamento do Estado de São Paulo. Proposta pelo governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o projeto de privatização da Sabesp prevê a desestatização da empresa, maior do setor no Brasil, por meio da venda de parte das ações que o Estado detém na companhia.

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