Juros futuros sobem com dados fortes do mercado de trabalho dos EUA

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a terça-feira em alta, em um dia marcado por dados fortes do mercado de trabalho norte-americano e pelos receios em torno do equilíbrio fiscal brasileiro, com investidores também à espera da “superquarta”, quando os bancos centrais do Brasil e dos Estados Unidos decidirão sobre juros.

No início da tarde, o Departamento do Trabalho dos EUA informou que as vagas de emprego disponíveis -- uma medida da demanda por mão de obra -- aumentaram em 101.000, chegando a 9,026 milhões no último dia de dezembro, conforme o relatório Jolts.

Economistas consultados pela Reuters previam 8,75 milhões de vagas de emprego em aberto em dezembro. Já os dados de novembro foram revisados para cima, de 8,79 milhões para 8,925 milhões de vagas não preenchidas.

Os números sugerem, na prática, que o mercado de trabalho norte-americano provavelmente continua forte demais para que o Federal Reserve comece a cortar os juros no primeiro trimestre. Neste cenário, os rendimentos dos Treasuries de prazos menores -- mais ligados ao ciclo da política monetária -- subiam, em um sinal de que os investidores veem chances menores de o Fed cortar os juros já em março.

No Brasil, isso favoreceu a alta das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), em um movimento sustentado ainda pelo “fantasma do descontrole fiscal”, pontuou Larissa Quaresma, analista da Empiricus Research.

Ela lembrou que, na segunda-feira, o Tesouro informou que o governo central registrou em 2023 déficit primário de 230,535 bilhões de reais, o que representa um rombo de 2,1% do Produto Interno Bruto do Brasil, após o superávit pontual de 0,5% do PIB em 2022. Foi o segundo pior resultado primário da série histórica, iniciada há 26 anos.

“Se antes era muito provável que viria um rombo fiscal este ano, e não um déficit zero, a certeza do rombo acaba fazendo preço na curva”, afirmou Quaresma. “Pelo externo, a curva brasileira já deveria subir um pouco hoje (terça-feira). Juntando com o fantasma do descontrole fiscal, isso acaba pesando”, acrescentou.

No auge do dia, às 12h23 -- após os números do Jolts -- a taxa do contrato futuro de juros para janeiro de 2027 chegou a subir quase 10 pontos-base. No mesmo horário, a taxa para janeiro de 2031 avançava 7 pontos-base.

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Ao mesmo tempo, os negócios no Brasil e no exterior foram marcados pela expectativa antes das decisões sobre juros do Fed e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, nesta quarta-feira -- apelidada de “superquarta”.

A expectativa consolidada no mercado é de que o Fed manterá sua taxa básica na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano, mas investidores estarão atentos a pistas sobre quando a instituição iniciará o ciclo de cortes -- em março ou em maio.

No caso do Copom, a projeção é de novo corte de 0,50 ponto percentual da taxa básica Selic, hoje em 11,75% ao ano, e de nova indicação de manutenção do ritmo de baixa de meio ponto percentual no próximo encontro.

Perto do fechamento desta terça-feira a curva a termo precificava 98% de chances de o corte da Selic na quarta-feira ser de 0,50 ponto percentual.

No fim da tarde, com os DIs no Brasil mais acomodados, a taxa para janeiro de 2025 estava em 9,985%, ante 9,976% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 9,695%, ante 9,66% do ajuste anterior.

Já a taxa para janeiro de 2027 estava em 9,865%, ante 9,839%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,135%, ante 10,114%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 10,56%, ante 10,546%.

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No exterior, as taxas dos títulos de 2 e 5 anos seguiam em alta no fim da tarde, enquanto as dos contratos de 10 e 30 anos caíam. Às 16:44 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dois anos --que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- subia 4,10 pontos-base, a 4,3633%.4,0586%

No mesmo horário, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 3,20 pontos-base, a 4,0586%.

No Brasil, com impactos menores na curva de juros durante a sessão, a Fundação Getúlio Vargas (FGV) informou pela manhã que o Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) desacelerou a alta para 0,07% em janeiro, de 0,74% em dezembro.

Durante a tarde, o Ministério do Trabalho informou que o Brasil fechou 430.159 vagas formais de trabalho em dezembro, mais do que o esperado pelos mercados, mas encerrou 2023 com saldo acumulado positivo de quase 1,5 milhão de empregos.

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