Petróleo recua com preocupações sobre inflação e juros nos EUA

NOVA YORK (Reuters) - Os preços do petróleo caíram menos de 1% nesta segunda-feira, à medida que autoridades do Federal Reserve disseram que estavam aguardando mais sinais de que a inflação nos Estados Unidos está recuando antes de o banco central norte-americano começar a reduzir as taxas de juros.

Dois dirigentes do Fed disseram que ainda não estão prontos para afirmar que as tendências da inflação estão novamente se movendo de forma sustentável de volta para a meta de 2% da autarquia, o que pesou nos preços após dados na semana passada mostrarem um alívio bem recebido nas pressões sobre preços ao consumidor em abril.

Taxas de juros mais baixas reduziriam os custos de empréstimos para consumidores e empresas, o que poderia impulsionar o crescimento econômico e a demanda por petróleo.

Os contratos futuros do Brent caíram 27 centavos, ou 0,3%, para 83,71 dólares o barril, enquanto o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI) dos EUA caiu 26 centavos, ou 0,3%, para 79,80 dólares.

Isso manteve o prêmio do Brent sobre o WTI perto de seu nível mais baixo desde março por um terceiro dia consecutivo. Um prêmio mais estreito torna menos lucrativo para as empresas de energia enviar navios para os EUA para pegar carregamentos de petróleo bruto para exportação. Isso deixa mais petróleo nos EUA que precisa ser consumido ou armazenado.

INDIFERENTE AOS EVENTOS MUNDIAIS

O mercado, contudo, pareceu indiferente à incerteza política em dois grandes países produtores de petróleo depois que o presidente do Irã morreu em um acidente de helicóptero e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita adiou uma viagem ao Japão devido à saúde de seu pai, o rei.

A política de petróleo iraniana não deve ser afetada pela morte repentina do presidente, já que o líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei, é quem detém o poder maior e dá a última palavra sobre todos os assuntos do Estado.

Na Arábia Saudita, o mercado já está habituado à liderança do príncipe herdeiro Mohammed Bin Salman no setor de energia, disse Saul Kavonic, analista de energia da MST Marquee.

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"A continuidade na estratégia saudita é esperada independentemente desta questão de saúde", disse ele.

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados, juntos conhecidos como Opep+, estão programados para se reunir em 1º de junho.

"O mercado também parece cada vez mais insensível aos desenvolvimentos no cenário geopolítico, provavelmente devido à grande quantidade de capacidade ociosa que a Opep possui", disse Warren Patterson, chefe de estratégia de commodities do ING.

Dados mostraram que as exportações de petróleo bruto da Arábia Saudita aumentaram pelo segundo mês consecutivo em março, atingindo o patamar mais alto em nove meses.

(Reportagem de Scott DiSavino em Nova York, Natalie Grover em Londres, Deep Vakil em Bengaluru, Colleen Howe em Pequim e Florence Tan em Cingapura)

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