Dólar dispara ante real e fica a menos de 2% de recorde histórico
O dólar dispara ante o real nesta quinta-feira, ficando a menos de 2% de seu pico histórico alcançado em setembro do ano passado. O mercado intensifica a demanda pela moeda após o Banco Central (BC) manter ontem a Selic estável, reforçando leituras de ingerência política e aumentando dúvidas sobre a disposição do governo em conduzir a política macroeconômica de forma mais ortodoxa.
Na máxima, a cotação foi a R$ 4,1723, apenas 1,79% abaixo do recorde histórico de R$ 4,2484 alcançado em 24 de setembro de 2015. O real é a segunda moeda que mais perde valor contra o dólar nesta quinta-feira, atrás apenas do rublo russo, que desaba mais de 4%.
Depois da súbita reviravolta do BC nesta semana, ao indicar menos propensão a subir os juros, contrariando toda a sinalização anterior, o mercado teve reforçadas as desconfianças quanto a influências da ala desenvolvimentista do governo sobre a política monetária.
O medo é a volta do que o mercado chama de "nova matriz econômica", cujo pai é, na opinião de agentes financeiros, o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa. A "nova matriz econômica" plantou as bases, segundo o mercado, dos problemas fiscais pelos quais o Brasil passa hoje. E a questão fiscal é a variável que está por trás da intensa deterioração da percepção de risco com relação à economia brasileira no último ano.
Além disso, a manutenção da Selic e o risco de que cortes da taxa básica comecem a entrar no radar são um forte revés a talvez o único elemento que ainda mantém a atratividade do real para estrangeiros: o juro elevado. Embora essa taxa ainda seja considerada bastante alta e muito acima das praticadas em outros emergentes, investidores podem considerar que o prêmio de risco necessário para aplicar em papéis brasileiros cresceu, e uma Selic estável vai de encontro a isso.
Às 10h10, o dólar comercial subia 1,32%, para R$ 4,1568. O dólar para fevereiro tinha alta de 1,42%, para R$ 4,1710, após máxima de R$ 4,1840.
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