Bovespa fecha no vermelho em meio a balanços fracos e Zelotes

A bolsa brasileira fechou no vermelho nesta quinta-feira por causa da safra de balanços fracos e de outras notícias corporativas que pesaram sobre empresas relevantes do Ibovespa, como Ambev, Vale, Gerdau e Oi. Apesar do pregão negativo, o mercado local conseguiu se afastar das mínimas à tarde graças à recuperação do petróleo, que deu fôlego às bolsas americanas e também ajudou os papéis da Petrobras.

O Ibovespa fechou em baixa de 0,47%, aos 41.887 pontos, com volume de R$ 4,875 bilhões. Entre as principais ações do índice, Vale ON caiu 5,89%, seguida por Vale PNA (-5,23%) Ambev ON (-2,58%), Brasil Foods ON (-1,41%) e Bradesco PN (-0,29%), enquanto Petrobras PN subiu 0,41% e Itaú PN marcou leve alta de 0,08%.

"Apesar da melhora de Petrobras, a queda forte das ações da Ambev e da Vale pesou sobre o Ibovespa. Ambev responde por mais de 8% do índice, enquanto as duas Vales (ON e PNA) possuem peso de pouco mais de 5%", explicou um operador.

A fabricante de bebidas registrou lucro líquido de R$ 4,153 bilhões no quarto trimestre de 2015, queda de 8,5% na comparação com o mesmo período em 2014. O Credit Suisse chamou atenção para o aumento de 32% nas despesas gerais e administrativas, que foram "definitivamente uma surpresa negativa". A Ambev também sofreu com despesas financeiras e aumento na alíquota de impostos.

"O custo está pesando sobre todas as companhias. Você tem uma combinação de inflação alta com demanda em queda. Em geral, as companhias não estão conseguindo repassar seus custos para os preços. Ontem, a Weg divulgou balanço e apresentou sua menor margem Ebitda desde 1996", comentou o estrategista da Guide Investimentos, Luis Gustavo Pereira.

Já a Vale registrou prejuízo de R$ 33,156 bilhões no quarto trimestre de 2015, quase oito vezes maior que a perda de R$ 4,761 bilhões apurada um ano antes. Os principais motivos apontados pela mineradora para o prejuízo foram a menor margem Ebitda (geração de caixa); baixas contábeis ("impairments") que somaram R$ 36,2 bilhões em 2015; e o efeito negativo da depreciação do real sobre os resultados financeiros, já que a maior parte do endividamento da Vale é em dólar.

As ações da Petrobras tiveram mais um dia volátil, refletindo notícias relacionadas à companhia e a trajetória do petróleo no mercado internacional. O barril do WTI fechou em alta de 2,90%, cotado a US$ 33,07. A commodity passou a subir no meio da tarde após a informação de que Rússia, Arábia Saudita e Qatar concordaram em se reunir em março para discutir o congelamento da produção nos níveis de janeiro. O anúncio foi feito pelo ministro de petróleo da Venezuela, Eulogio Del Pino.

Outro tema que influenciou os papéis da estatal foi a aprovação, pelo Senado, do projeto que altera as regras de participação da Petrobras na exploração do pré-sal. O texto seguirá para apreciação na Câmara dos Deputados. O estrategista da XP Investimentos, Celson Plácido, explicou que a extinção do modelo de partilha ajuda a Petrobras, pois possibilita que a empresa venda alguns blocos, mas não resolve o problema da companhia que tem R$ 506 bilhões de dívida e 73% desse montante em dólar, em um cenário de preço do petróleo em queda. "Seguimos céticos com o ativo", disse.

As ações da Gerdau ficaram sob pressão hoje. A companhia foi alvo da nova fase da Operação Zelotes, que apura a compra de votos em julgamentos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). Gerdau Metalúrgica PN perdeu 10,85% e Gerdau PN recuou 4,77%, entre as maiores baixas do Ibovespa. O presidente da siderúrgica, André Gerdau, prestou depoimento à Polícia Federal em São Paulo. A estimativa de sonegação fiscal da Gerdau é de R$ 1,5 bilhão.

Oi ON (-19,30%) liderou as perdas do Ibovespa. Fora do índice, Oi PN (-16,56%) também caiu forte. A operadora de telefonia informou que o fundo russo Letter One desistiu de realizar um aporte de US$ 4 bilhões na companhia porque a TIM não teria aceitado prosseguir com as negociações para realizar uma fusão com a Oi.

Banco do Brasil ON (0,38%) terminou em leve alta após divulgar o balanço do quarto trimestre, com lucro de R$ 2,512 bilhões no quarto trimestre, queda de 15,1% na comparação com o mesmo período do 2014. O resultado ajustado foi de R$ 2,648 bilhões, um recuo de 12,3% na mesma comparação. Segundo o Credit Suisse, os números ficaram abaixo do consenso de mercado.

Entre as maiores altas do Ibovespa ficaram Cemig PN (5,07%), Energias do Brasil ON (4,06%) e Localiza ON (3,78%).

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