Bolsas

Câmbio

Juro futuro de longo prazo fecha em alta, sob efeito de anúncio do Fed

As taxas dos contratos futuros de juros de longo prazo fecharam em alta na BM&F, acompanhando a elevação das taxas dos Treasuries (títulos do Tesouro americano), com os investidores ajustando as posições após a sinalização do Federal Reserve de elevação maior que a esperada para a taxa de juros dos EUA nos próximos três anos.

Essa mudança na política monetária americana, contudo não alterou a expectativa de uma aceleração no corte da taxa básica de juros no Brasil no ano que vem, dado o cenário de crescimento econômico mais fraco que o esperado da economia brasileira e estimativa de avanço nas reformas fiscais.

Essa leitura sustentou a queda das taxas de juros de curto prazo. O DI para janeiro de 2018 caiu de 11,78% para 11,76% no fechamento do pregão regular, enquanto o DI para janeiro de 2019 fechou em ligeira alta, subindo de 11,41% para 11,42%. Já o DI para janeiro de 2021 avançou de 11,84% para 11,93%.

Ontem, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) elevou em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros pela segunda vez no ano para o patamar entre 0,50% e 0,75%. A autoridade monetária americana também elevou as projeções de duas para três altas em 2017, vendo mais três elevações de juros em 2018 e também em 2019, com a taxa básica subindo para perto de 3%, a 2,9%.

Para o diretor de mercados emergentes e estratégia do Citi em Londres, Luis Costa, a expectativa de um crescimento moderadamente positivo da economia americana e uma política fiscal mais expansionista nos Estados Unidos devem sustentar o movimento de alta das taxas dos Treasuries e trazer um cenário menos favorável para os mercados emergentes no primeiro trimestre de 2017.

Contudo, o banco está com uma visão relativamente positiva para a renda fixa no Brasil nesse cenário, destacando que o avanço na agenda de ajuste fiscal, especialmente em relação à reforma da Previdência, deve diminuir esse impacto negativo para o país. "Não estou falando que o real vai ficar ileso. O posicionamento dos investidores estrangeiros em juros no Brasil é grande e, se tiver um movimento de ?sell-off' [saída generalizada] em mercados emergentes a curva de juros brasileira vai sofrer, mas a melhora do quadro fiscal e as reformas fiscais podem aliviar o impacto em ativos brasileiros", diz Costa.

Para o diretor do Citi, o Brasil ainda está em uma situação benéfica apesar dos escândalos políticos, que já têm alçado o governo. "O mercado ainda está focando na capacidade desse governo de intensificar a agenda de reformas. E nesse quadro, as reformas estão, de maneira geral, isolando o Brasil da capacidade de sofrer um sell-off (venda generalizada)", afirma.

Ontem, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara aprovou o parecer favorável à admissibilidade à proposta da PEC da Previdência do deputado Alceu Moreira (PMDB-RS). A proposta segue agora para uma comissão especial que analisará o conteúdo e poderá fazer emendas, cuja etapa deve acontecer apenas em fevereiro do ano que vem.

Para o vice-presidente de investimentos SulAmérica, Marcelo Mello, pode haver alguma recomposição de prêmio nos papéis de renda fixa após a reunião do Fed, mas isso não altera o cenário de um corte maior da taxa básica de juros no ano que vem em função do arrefecimento da economia doméstica, prevendo uma queda da taxa Selic para 11% no fim de 2017.

Para Mello, mesmo com uma taxa mais alta de câmbio o "pass through" (repasse da alta do dólar para a inflação) tende a ser menor em uma economia com baixo crescimento. "Se o dólar ficar muito forte deve ter algum impacto para a inflação local, mas a economia está em um patamar tão fraco que o ?pass through' do câmbio é reduzido porque a demanda não está aquecida", diz.

Nesse nível de preços, o executivo vê como interessante as aplicações tanto em papéis prefixados como em títulos atrelados à inflação (NTN-B). "Se a gente tiver a reforma da Previdência passando com poucas alterações de conteúdo, com visão mais positiva para o endividamento público, podemos ver os papéis atrelados a juro real se apreciando", afirma.

A alta de juros no cenário externo não afetou a demanda por papéis no leilão do Tesouro. Hoje as taxas das NTN-F saíram mais baixas que as previstas em consenso de mercado. Também os juros pagos pelo Tesouro Nacional no leilão de LTN ficaram aquém do consenso. O Tesouro vendeu todos os 7 milhões de prefixados, sendo 5 milhões de LTN e 2 milhões de NTN-F.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos