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Dólar e bolsa operam em queda nesta quinta-feira

O dólar acelerou a queda frente ao real nesta quinta-feira, com a moeda brasileira figurando entre os destaques positivos do dia, depois da sinalização do Banco Central (BC) de que manterá liquidez no mercado de câmbio.

A mínima de R$ 3,1998 foi atingida logo depois de o presidente do BC, lan Goldfajn, dizer em Davos que a ideia é fazer a rolagem integral dos swaps que vencem em fevereiro. Para ele, isso significa permanecer "neutro", mantendo o estoque. Mas ressalvou que isso pode depender das condições.

As declarações foram feitas pouco antes de o BC informar colocação integral dos 15 mil contratos de swap cambial tradicional em leilão de rolagem. Foi a primeira operação já com volume maior. Em cada um dos dois leilões anteriores, a oferta fora de 12 mil contratos.

Mantido esse ritmo, o BC rolará todo o lote de swaps a vencer, de US$ 6,4 bilhões. Até o momento, já postergou o vencimento de US$ 1,950 bilhão, 30% do montante a expirar. O estoque total é de US$ 26,559 bilhões.

Analistas têm dito que a volta dos swaps indica uma postura mais defensiva e preventiva do BC à potencial volatilidade com a posse de Donald Trump nos Estados Unidos, prevista para amanhã, sexta-feira.

"Não me parece coincidência esses dois fatos na mesma semana. O BC está demonstrando mais atenção ao risco de volatilidade do evento Trump", diz o sócio-gestor da JPP Joaquim Kokudai.

O gestor não descarta também que a ação preventiva do BC derive da percepção de que o câmbio pode mostrar mais vulnerabilidade a eventos externos depois da queda mais intensa dos juros no Brasil. Em tese, juros mais baixos reduzem a atratividade dos papéis lastreados na moeda brasileira. "Talvez o BC queira evitar qualquer espaço para especulação com a moeda."

Às 13h24, o dólar comercial caía 0,44%, a R$ 3,2074. O dólar para fevereiro recuava 0,79%, a R$ 3,2190.

O real, assim, mostra um desempenho melhor que seus pares emergentes. Em média, essas divisas se desvalorizam, hoje, 0,44%.

Juros

As taxas de DI operam em firme queda na BM&F nesta quinta-feira, empurradas por mais evidências de que a trajetória cadente da inflação permitirá a manutenção do ritmo de cortes da Selic nos próximos meses.

A curva de juros mostra nesta quinta-feira reforço nas apostas em novo corte de 0,75 ponto percentual da Selic no encontro do Copom de fevereiro. Os contratos de DI embutem 82% de probabilidade de redução nessa magnitude no dia 22 de fevereiro. Ontem, essa precificação era de 66%.

Em outro sinal disso, o DI março de 2017 - o primeiro após o encontro de fevereiro - registra o terceiro maior volume do mercado, algo incomum levando em conta o vértice de curtíssimo prazo desse contrato.

A curva indica Selic pouco abaixo de 10% ao fim de 2017.

O IPCA-15 de janeiro foi o mais baixo para o mês desde a criação do Plano Real. O indicador teve alta de 0,31%, acima da taxa de 0,19% de dezembro, mas abaixo das expectativas de analistas consultados pelo Valor Data (0,39%) e da pesquisa Focus (0,47%). A leitura ficou ainda aquém do piso das projeções da pesquisa do Valor (0,32%). No acumulado em 12 meses, a inflação desacelerou a 5,94%.

Às 13h24, o DI janeiro de 2018 recuava a 10,990%, ante 11,035% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2019 cedia a 10,480%, ante 10,530% do último ajuste.

Entre as taxas de médio e longo prazos, o DI janeiro de 2021 cedia a 10,750%, ante 10,800% no ajuste da véspera.

Bolsa

O Ibovespa opera sem grandes variações nesta quinta-feira. A perda era de 0,26% às 13h29, para 63.981 pontos.

As ações ON da Eletrobras, que entraram na carteira do Ibovespa válida de janeiro a abril, lideram as quedas do índice. Eletrobras ON cai 3,99%. Segundo operadores, os papéis estão muito voláteis e vêm sendo usados para operações especulativas, com investidores questionando o elevado endividamento da empresa e a questão da Reserva Global de Reversão (RGR).

Ontem, o Valor informou que os valores provisionados pelas empresas do grupo Eletrobras para o ressarcimento de recursos da RGR pagos indevidamente não são suficientes para cumprir a determinação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

Como gestora das contas de encargos setoriais, a Eletrobras pagou, utilizando recursos da RGR, R$ 604 milhões a mais a um grupo de companhias, como indenização às empresa que aderiram às condições para renovação antecipada de concessões determinadas pela Medida Provisória (MP) 579, de 2012.

O valor, porém, é inferior ao montante histórico correspondente à parcela que as empresas do grupo Eletrobras precisarão pagar, de acordo com os cálculos da Aneel.

As ações de mineração e siderurgia ampliam as baixas. Recuam Vale ON (-2,90%), Gerdau PN (-2,70%), Vale PNA (-2,75%) e Gerdau (-2,43%). Ontem, Vale ON subiu, com a valorização do minério de ferro e também com a notícia do valor de que a companhia divulgará novo acordo de acionistas e estaria em discussão a unificação das ações.

A empresa negou hoje que esteja avaliando a unificação de ações, divididas atualmente em preferenciais e ordinárias.

Do outro lado, ações de papel e celulose lideram os ganhos. Suzano PNA sobe 4,04%, Fibria ON ganha 3,51% e Klabin Unit avança 2,44%. Os papéis reagem à notícia de que a Suzano anunciou alta no preço da tonelada de celulose vendida em todos os mercados a partir de 1º de fevereiro, acompanhando movimentos semelhantes promovidos por rivais nos últimos dias. Segundo a empresa, o preço da tonelada de celulose para a China será elevado para US$ 600, para a Europa o preço vai para US$ 710 e na América do Norte o valor subirá para US$ 890.

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