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Dólar tem maior queda em 6 meses no dia, mas sobe 1% na semana

A montanha-russa do mercado de câmbio voltou a deixar sua marca nesta sexta-feira, dia em que o dólar registrou o maior tombo em seis meses. Até ontem, a moeda contabilizava a maior alta para dois dias desde dezembro.


O ajuste foi global. As divisas emergentes experimentam hoje o melhor dia em quase dois meses, sustentadas por um movimento de realização de lucros após dados nos EUA não conseguirem endossar apostas de um Federal Reserve (Fed, BC americano) ainda mais agressivo.


A maior economia do mundo gerou em fevereiro 235 mil postos de trabalho, em termos líquidos. O número superou com folga a expectativa de abertura de 197 mil empregos, mas apenas chancelou expectativa já consensual de aperto monetário na próxima semana. Além disso, o ganho salarial médio no mês passado foi de 0,23% sobre janeiro. Embora indique algum impulso à renda - o que é inflacionário -, o dado ficou abaixo da estimativa de 0,3% de analistas consultados pelo "The Wall Street Journal".


O risco Fed aos mercados emergentes é visto com moderação. Para o Morgan Stanley, a possibilidade de no longo prazo o BC americano subir ainda mais os juros deve afetar emergentes via mercados de ações e commodities, o que não necessariamente indica vulnerabilidades desse grupo de países.


De forma agregada, o real não integra a lista de divisas emergentes mais expostas a riscos protecionistas. A moeda ainda exibe alguma vulnerabilidade por causa de sua exposição a exportações de minério de ferro. "Mas, uma vez que a economia é mais diversificada e menos aberta, estamos menos preocupados", dizem estrategistas do Morgan.


Em outro fator a dar suporte ao câmbio, os profissionais do banco de Wall Street lembram que a moeda brasileira oferece a maior taxa de juros em uma lista de 13 moedas, logo à frente da rupia indonésia e do rublo russo. O Morgan espera que o dólar feche março a R$ 2,95. Esse prognóstico implica apreciação adicional para o real de 6,60%.


Numa avaliação mais cautelosa, estrategistas do Bank of America Merrill Lynch mantiveram recomendação "neutra" para o real, estimando que a moeda brasileira está cerca de 7% acima do que deveria, considerando variáveis ponderadas pelo comércio exterior. Ainda assim, o BofA estima que o dólar ficará relativamente estável até o fim de março, cotado a R$ 3,15.


No fechamento das operações interbancárias, o dólar caiu 1,57%, a R$ 3,1448. É a mais intensa baixa para um encerramento desde 6 de setembro do ano passado, quando a moeda retrocedeu 2,22%. Na mínima, a taxa foi a R$ 3,1388 (-1,76%).


Na semana, porém, a cotação ainda subiu 1,01%. É a mais forte alta para o período desde a semana finda em 2 de dezembro do ano passado (+1,77%). Essa alta foi construída sobretudo pelo salto de 2,45% entre quarta e quinta, quando os mercados em geral sofreram fortes ajustes.


Apesar de ainda recuar no acumulado da semana, o real deixou a lanterna das moedas globais na semana, posto que ocupava até ontem. A coroa norueguesa substituiu a divisa brasileira, em queda de 1,87%, numa semana protagonizada pelo tombo dos preços do petróleo.


Em março, o dólar avança 1,05%, reduzindo a queda no ano a 3,25%.


No mercado futuro, em que os negócios vão até as 18h15, o dólar para abril tinha queda de 1,59%, a R$ 3,1625.

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