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Juro futuro fecha em queda dias antes de Fed decidir sobre taxa básica

Os juros futuros começaram a semana em queda, dois dias antes de o Federal Reserve (Fed, BC americano) provavelmente subir a taxa básica dos EUA. Uma nova rodada de baixa nas previsões de inflação e Selic na pesquisa Focus amparou o alívio dos DIs.


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro de 2018 caía a 10,002% ao ano, frente a 10,070% no ajuste anterior. O DI janeiro de 2019 cedia a 9,530%, contra 9,560% no último ajuste. O DI janeiro de 2021 recuava a 9,930%, ante 9,970% no ajuste de sexta-feira.


O DI julho de 2017 - que reflete apostas paras as reuniões do Copom de abril e maio - cedia a 11,205%, comparado a 11,235% no ajuste anterior.


O contrato mais negociado nesta segunda-feira, porém, foi o com vencimento em abril de 2017 - o mais curto -, com 550.060 ativos, de um total de 1,4 milhão. Segundo profissionais, o volume significativo em um contrato de tão curto prazo e que não contempla nenhuma reunião da Selic se deve a uma "limpeza" de posições de investidores no mercado de opções, que acaba se refletindo no mercado de DI. "É o tipo de movimentação de risco praticamente zero. É apenas uma limpeza de 'book' mesmo", diz um operador.


Mais instituições revisaram para baixo suas projeções para o juro básico nos próximos meses. A Modal Asset Management já vê corte de 1,25 ponto percentual da Selic em abril e maio. O BNP Paribas agora vê corte de 1 ponto em cada uma das reuniões do Copom até setembro. Em outubro, o Copom reduzirá o juro em 0,25 ponto, para 8% ao ano, de acordo com o banco.


O chefe de pesquisa econômica do BNP para a América Latina, Marcelo Carvalho, vê inclusive dois riscos de baixa a essa expectativa. O primeiro é de a Selic chegar ao patamar de 8% mais rápido do que o antecipado caso o BC decida cortar o juro numa velocidade "ainda mais rápida" que de 1 ponto. "O segundo é que a taxa terminal no atual ciclo fique ainda mais baixa do que 8%, à medida que o BC teste novos limites cíclicos e estruturais", afirma em relatório.


Para o economista e estrategista do Crédit Agricole para a América Latina, Italo Lombardi, o cenário atual respalda aceleração do corte de juros pelo BC, mas ainda é plausível esperar os eventos dos próximos 30 dias antes de revisar a projeção oficial.


A aceleração do ritmo de alívio monetário é bastante possível mesmo com o Federal Reserve (Fed) devendo subir os juros. Para Lombardi, o Fed tem mantido um padrão de subir os juros de forma "dovish" - ou seja, evitando sinais ainda mais fortes de aperto monetário. Baseado nisso, o Crédit Agricole segue vendo duas altas de juros nos EUA neste ano, apenas antecipando os movimentos para março e setembro. Antes, a previsão era para junho e dezembro.


"Talvez o BC até ganhe credibilidade acelerando o corte de juros, porque todos os dados corroboram essa possibilidade. E o mercado já deu seu 'aval'", diz Lombardi, chamando a atenção para os efeitos positivos do juro mais baixo sobre o custo da dívida, por exemplo.

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