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Incerteza política interna puxa juros futuros longos para cima

Com mais do que o dobro do volume da véspera, o mercado de juros futuros teve uma terça-feira de alta de taxas, reagindo ao noticiário vindo de Brasília.Na linha "um dia após o outro", o otimismo com a aprovação das reformas cedeu lugar hoje a preocupações quanto ao risco de demora de tramitação dos projetos no Congresso.


A reforma trabalhista teve a votação de seu texto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), no Senado, mais uma vez adiada. O adiamento reforça preocupações de que o andamento das reformas seja ainda mais lento que o temido, atrasando a retomada da confiança e dos investimentos que fariam o PIB crescer novamente.


O texto agora será votado apenas na semana que vem. Mais cedo, o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, havia dito a investidores que o texto seria aprovado ainda nesta semana.


Além disso, em um sinal negativo à governabilidade do presidente Michel Temer, o ex-ministro da Justiça Osmar Serraglio recusou indicação do presidente para assumir o Ministério da Transparência.


Em nota curta a Temer, Serraglio diz que volta à Câmara dos Deputados para reassumir suas funções de deputado. No texto, contudo, não fez referência explícita sobre apoio ao presidente. O desdobramento volta a servir de lembrete dos desafios que Temer ainda precisa superar para obter todos os votos necessários à aprovação da reforma da Previdência, que ainda está na Câmara.


Apesar da alta mais firme nos contratos longos, foi o DI julho/2017 que liderou o volume de negócios da curva, com 490.250 ativos transacionados. É nesse vencimento que o mercado opera apostas para a decisão do Copom de amanhã. Os movimentos dos investidores indicam corte de 1 ponto percentual da Selic (80% de probabilidade).


Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI julho/2017 caía a 10,265% (10,292% no ajuste anterior).


Apesar do ajuste de baixa das taxas de DI registrado ao longo da semana passada e ontem, estrategistas consideram que alguns vértices continuam em patamares mais altos que o sugerido pelos fundamentos e pela expectativa para a política monetária.


A equipe de estratégia de câmbio e juros do BNP Paribas para a América Latina, por exemplo, diz que posição vendida em DI janeiro/2019 aos preços atuais oferece um "consistente risco/retorno", tomando como base taxas justas calculadas a partir do modelo do banco e das projeções para a Selic da área econômica da instituição.


Esse DI chegou ao fim da tarde desta terça-feira em 9,370%, alta frente ao patamar de 9,260% do ajuste de ontem.


Joaquim Kokudai, sócio-gestor da JPP Capital, até reduziu posição vendida em DI janeiro/2027, mas segue com 40% do patrimônio líquido da gestora aplicado nesse vencimento. Ou seja, o gestor ainda vê retorno potencial maior ao assumir apostas de queda de juros mais longos.


Sobre política monetária, Kokudai prevê que o Copom reduzirá a Selic em 1 ponto percentual. Para ele, a inflação está muito baixa, o que sustenta manutenção desse ritmo de corte. Por outro lado, a incerteza política limita uma redução ainda mais intensa, de 1,25 ponto, como se chegou a cogitar no mercado antes do estouro da crise política."O caminho para corte da Selic até 9% ao fim do ano parece tranquilo", diz.


O DI janeiro/2018 subia a 9,310% (9,265% no último ajuste). E o DI janeiro/2021 tinha alta a 10,420% (10,350% no último ajuste).


O volume foi firme, de mais de 2 milhões de contratos negociados, bem acima dos 864.250 da véspera.

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