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Bolsas de NY recuam, com indicação de aperto monetário por BCs

Na véspera de um triplo fechamento - de trimestre, de mês e de semana -, momento no qual gestores e investidores em geral realizam lucro e reposicionam suas carteiras, os mercados tiveram de lidar com uma confluência de fatores de difícil digestão. No prato principal, a sinalização de bancos centrais globais sobre uma eventual aproximação do momento de virada das políticas monetárias ultrafrouxas.


A quinta-feira foi de vendas e reposicionamentos nas bolsas de Nova York. As ações de bancos atraíram praticamente todo o pouco apetite ao risco da sessão.Após ajustes, o Dow Jones fechou em queda de 0,78%, a 21.287,03 pontos. O S&P 500 cedeu 0,86%, a 2.419,70 pontos. O Nasdaq recuou 1,44%, a 6.144,35 pontos.


As instituições financeiras ganharam impulso com os resultados finais do testes de estresse do Federal Reserve, que aprovou todas as 34 instituições e deu sinal verde para os planos de retorno de capital, por meio de dividendos e recompras de ações. O setor financeiro subiu 0,71% no S&P 500, secundado pelos papéis de energia, que tiveram alta de 0,16% no pregão.


As ações de tecnologia novamente lideraram as perdas no índice com um tombo de 1,68%. Mas os setores imobiliário, de consumo básico e de matérias-primas também tiveram desempenhos negativos significativos nesta quinta-feira, com recuos de, respectivamente, 1,04%, 1,08% e 1,09%.


No Dow Jones, apenas duas ações entre 30 terminaram o dia no positivo. E foram justamente as de dois bancos: J.P.Morgan (+1,48%) e Goldman Sachs (+0,53%).Papéis de outras instituições fora do índice de "blue chips" também brilharam no pregão de hoje em Nova York. Entre os gigantes, Wells Fargo (+2,67%), Citigroup (+2,76%) e Bank of America (+1,84%), lideraram os ganhos.


O cardápio de catalisadores do dia também reuniu dados econômicos contraditórios nos EUA, que ainda apontam para uma desaceleração do ritmo de alta dos preços, a tendência de queda do petróleo e o recente deslize dos papéis de tecnologia americanos.


Para adicionar mais ansiedade aos agentes, na próxima segunda-feira os mercados americanos encerram mais cedo e, no dia seguinte, permanecem fechados devido ao feriado do dia da Independência dos Estados Unidos.


Como resultado, a quinta-feira assistiu a movimentos contraintuitivos: as bolsas de Nova York e da Europa encerraram em quedas acentuadas, ao mesmo tempo que os títulos americanos e da zona do euro enfrentaram novas vendas. As moedas emergentes caíram diante do dólar, que, por sua vez, perdeu chão frente a divisas consideradas de proteção, como euro, libra, iene e franco suíço.


A culpa mais evidente por tamanho ajuste tem sido atribuída a Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu (BCE). O comandante da autoridade monetária da zona do euro sugeriu na terça-feira que, com a economia da região com fôlego cada vez maior, aproxima-se o momento de desacelerar o programa de compras de títulos pela instituição.


A reboque da interpretação "hawkish", ou seja, inclinada ao aperto monetário, das palavras do chefe do BCE vieram os comentários dos presidentes do Banco da Inglaterra, Mark Carney, e do Banco do Canadá, Stephen Poloz, que indicaram a possibilidade de alta das taxas de juros em um futuro próximo.


Desde então, houve uma onda de vendas de títulos soberanos, liderada pelos papéis da Alemanha e um aumento de cautela entre investidores de várias classes de ativos.


Para Thomas Byrne, da Wealth Strategies & Management, algoritmos e pânico podem ter dado combustível ao acentuado ajuste desta semana. "A onda de vendas na ponta longa ganhou fôlego com a consolidação da expectativa de reversão da política monetária, especialmente em razão de operações com algoritmos e o pânico entre clientes de gestoras de recursos", avaliou.





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