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Dólar cai a R$ 3,20 após aprovação de reforma trabalhista e exterior

O dólar cravou o quarto pregão seguido de baixa frente ao real nesta quarta-feira, fechando no menor patamar em oito semanas. A cotação já ameaça o suporte de R$ 3,20, em uma reviravolta após ter chegado a tocar R$ 3,33 na semana passada.


O dólar comercial caiu 1,35%, a R$ 3,2084. É o menor patamar de encerramento desde 17 de maio, data da eclosão da mais recente crise política. A desvalorização é a mais intensa para um dia desde 19 de maio (-3,79%).


Em quatro sessões, o dólar perdeu 2,81%. É a mais longa série de baixas desde o período entre 9 e 16 de maio (quando a moeda recuou por seis dias seguidos). A depreciação acumulada para quatro sessões é a mais intensa desde a série finda em 24 de maio (-3,10%).


O real fortaleceu hoje a liderança no mercado global de câmbio em julho. A divisa brasileira sobe 3,31% neste mês, melhor desempenho entre 33 pares do dólar. Também lidera os ganhos na semana, em alta de 2,33%. E voltou a registrar valorização no acumulado do ano, de 1,32%.


Como raras vezes se vê no mercado, uma confluência de fatores domésticos e externos derrubou a moeda americana nesta sessão. Investidores já amanheceram embalados pela repercussão positiva da aprovação - na noite anterior - da reforma trabalhista. Mas no meio da manhã a confiança recebeu impulso extra a partir do tom "dovish" da presidente do Federal Reserve (Fed, BC americano), Janet Yellen.


O apetite por compra de reais se fortaleceu na parte da tarde, logo após o mercado tomar conhecimento de que o ex-presidente Lula foi condenado, pelo juiz Sergio Moro, a nove anos e seis meses prisão por crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.


A condenação ainda é em primeira instância, mas a notícia deu ao mercado esperanças de que o petista possa ver minguar sua chance na corrida presidencial de 2018. Com Lula fora, o mercado acredita haver mais probabilidade de eleição de um candidato comprometido com a agenda de reformas econômicas, especialmente a da Previdência.


"Em linhas gerais, é isso que vai determinar a continuidade da política econômica. Se vai haver ruptura ou não. E o medo com relação a 2018 incomoda bastante o gringo", diz Italo Lombardi, estrategista do Crédit Agricole em Nova York.


A perspectiva de que a agenda de reformas seja mantida, ainda em que em ritmo mais lento, é o que tem sustentado a confiança do mercado, segundo analistas. Nesse contexto, o dólar a R$ 3,20 parece mais "justo" neste momento do que R$ 3,30 ou R$ 3,40, por exemplo.

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