Ibovespa recua com desânimo diante de incertezas políticas; dólar cai

A bolsa de valores brasileira termina a primeira etapa do pregão desta quarta-feira em queda, sofrendo com o baixo volume de negócios enquanto os investidores evitam fazer novas apostas em ações por conta das incertezas políticas.


O Índice Bovespa, referência do mercado local, recuava 0,5y8%, para 64.961 pontos, às 13h25. O Ibovespa chegou a subir 0,41% no seu nível máximo pela manhã, mas não teve forças para sustentar a elevação. O volume de transações somava R$ 2,15 bilhões, o que projetava R$ 4,93 bilhões para o final do dia - cerca de 40% abaixo da média diária neste ano.


"As férias no Hemisfério Norte e o recesso parlamentar no Brasil contribuem para esvaziar um pouco o pregão", diz Roberto Indech, analista da corretora Rico. "Nesse cenário, não temos visto os investidores carregando novas apostas nas suas carteiras, mas apenas substituindo alguns papéis por outros na tentativa de ganhar com operações de horizonte curto."


Mesmo as empresas do setor de commodities, que começaram o dia em alta por conta da elevação das matérias-primas, perderam um pouco do fôlego.


O Índice de Materiais Básicos da B3, que chegou a ganhar 1% mais cedo, há pouco avançava 0,56%. O Índice S&P GSCI de commodities subia 0,85%.


A Petrobras é exceção neste segmento: acelerou os ganhos depois de os estoques do petróleo caíram mais do que o esperado nos Estados Unidos. O papel PN da companhia há pouco ganhava 1%, a R$ 13,07, e o ON avançava 0,59%, para R$ 13,68. O petróleo tipo Brent subia 1,31%, para US$ 49,48 o barril com entrega em setembro, na bolsa de Londres, depois de as reservas de petróleo e gasolina nos EUA recuarem 4,7 milhões de barris na semana encerrada em 14 de julho, quando a estimativa era de uma baixa de 3,1 milhão de barril.


Mesmo com esses ganhos, a ação PN da petroleira ainda está cerca de 25% abaixo do seu preço-alvo projetado para 12 meses pelos especialistas do setor. As perspectivas para a companhia são positivas, considerando o seu plano de venda de ativos para diminuir o endividamento, mas as dúvidas acerca dos rumos do governo Michel Temer (PMDB-SP) têm esfriado um pouco a animação do mercado.


Dólar


O dólar volta a mostrar nesta quarta-feira que tem força limitada para reverter a trajetória de baixa, pelo menos por enquanto. No começo da tarde a moeda operava em leve baixa, mas chegou a ficar abaixo de R$ 3,15.


O dólar comercial tocou a mínima de R$ 3,1466 (-0,32%), ficando um pouco mais próximo dos valores anteriores de 17 de maio, antes do estouro da crise política. Na ocasião, a moeda havia fechado em R$ 3,1313 e registrado mínima de R$ 3,0960 durante a sessão.


Às 13h25, o dólar comercial caía 0,19%, cotado a R$ 3,1508.


Os agentes financeiros se mostram um pouco mais confortáveis com uma cotação mais baixa, principalmente em decorrência do ambiente favorável ao risco no exterior.


Os números de exposição cambial, registrados na B3, corroboram essa leitura. Nos cinco dias úteis até o fechamento de ontem, os investidores nacionais ampliaram as vendas líquidas de dólar futuro e cupom cambial (DDI) em US$ 1,5 bilhão. A exposição cambial dos estrangeiros, por sua vez, contou com vendas na ordem de US$ 1,3 bilhão.


Em termos de posição, os agentes domésticos estão vendidos em US$ 13,9 bilhões, nível mais acentuado desde meados de maio, quando houve a divulgação das conversas entre o presidente Michel Temer e o empresário Joesley Batista. Vale destacar, contudo, que os profissionais de mercado consideram a posição menos relevante para entender tendências.


A cogestora Mariana Dreux, do Fundo Truxt Macro, avalia que o mercado tem se mostrado mais confortável em montar uma aposta mais direcionada para o real ou mesmo em desfazer alguma posição de hedge no curto prazo. O ambiente externo de apetite por risco, na avaliação da profissional, é preponderante e contribui para a valorização da moeda brasileira. "Soma-se a isso o pipeline de IPO, as concessões, que podem continuar a ajudar o real no horizonte curto com entrada de recursos", diz.


Dreux alerta, entretanto, que no radar ainda está o risco fiscal e dúvidas em torno da disputa eleitoral de 2018. "Os riscos para a trajetória da dívida e a questão fiscal ficarão mais evidentes numa virada de cenário no exterior ou com a aproximação do debate eleitoral, principalmente devido à incerteza quanto à aprovação da Reforma da Previdência num novo governo", acrescenta.


Juros


Os juros futuros dão sequência à trajetória de queda nesta quarta-feira. Um dia antes divulgação do IPCA-15 de julho, o ambiente de inflação volta a se mostrar favorável para a continuidade do processo de flexibilização monetária. Os indicadores de preços divulgados mais cedo registraram variações negativas, reforçando a leitura de que o dado de quinta-feira também deve vir com deflação.


ODI janeiro/2018 cai a 8,600%, ante 8,645% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2019 recua a 8,440%, ante 8,510% na mesma base de comparação.


Ainda entre os vértices intermediários, o DI janeiro/2021 cai a 9,530%, de 9,580% no ajuste anterior, enquanto o dólar comercial cai 0,09%, a R$ 3,1539.

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