Dólar sobe a R$ 3,15 à espera do Fed; Ibovespa avança com construtoras

O dólar volta a subir nesta segunda-feira, estendendo a correção técnica da sessão anterior. O avanço da divisa americana, entretanto, é bastante moderado, principalmente se comparado à sequência de baixas registradas ao longo do mês de julho. Participantes do mercado apontam que o dólar ainda tem espaço para testar cotações mais baixas no curto prazo. No entanto, a divisa já se aproxima de níveis que exigem catalisadores mais claros para aprofundar o recuo ante o real.


Nesta semana, o Federal Reserve (Fed, banco central americano) anuncia sua decisão de política monetária, em meio à baixa expectativa de alterações em seus principais parâmetros de atuação. O entendimento no mercado é de que o Fed tem pouca justificativa para conduzir um aperto monetário mais duro ou mesmo elevar juros novamente neste ano.


As incertezas com o ritmo de atividade também são colocadas na conta, principalmente em meio a incertezas sobre a capacidade do presidente Donald Trump de avançar com sua agenda econômica. Nesta sexta-feira, está prevista a divulgação do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA. Caso os números do segundo trimestre decepcionem, os agentes financeiros comentam que seria possível nova rodada de baixa do dólar. Ainda que alguma pressão de alta possa ser observada no caso de uma surpresa positiva com o crescimento dos EUA, a visão é de que a reprecificação global do dólar tem efeitos mais permanentes por causa da política monetária.


No Brasil, os profissionais de mercado já debatem a possível atuação da autoridade monetária para o vencimento de swap cambial de outubro. Caso a tendência no câmbio persista e o dólar teste níveis ainda menores no mercado brasileiro, os agentes financeiros apontam que o BC poderia alterar a estratégia atual de postergar o vencimento de todos os contratos, como vem fazendo nos últimos meses.


Às 13h47, o dólar comercial operava em alta de 0,20%, cotado a R$ 3,1482. No mês de julho, por outro lado, a moeda acumula perda de 4,94%, zerando boa parte do avanço registrado desde o estouro da crise política em meados de maio.


O contrato futuro para agosto, por sua vez, marca R$ 3,1525, em alta de 0,14%.


Juros


Os juros futuros operam bem próximos da estabilidade nesta segunda-feira. O mercado de renda fixa já precifica quase como certa uma redução da taxa básica de juros em 1 ponto percentual nesta semana e, por ora, apostas mais ousadas ainda são limitadas. Por outro lado, ainda que a expectativa de curtíssimo prazo já esteja nos preços, as estimativas para a taxa no fim do ciclo continuam a ser ajustadas.


Além da própria decisão do BC na quarta-feira, o mercado de renda fixa deverá buscar sinais sobre os próximos passos da autoridade monetária, como a atualização das projeções para inflação.


A elevação dos impostos sobre os combustíveis, anunciada na semana passada, provocou uma elevação nas estimativas para o IPCA deste ano no boletim Focus, para 3,33%. No entanto, taxa esperada continua bem abaixo da meta inflacionário de 4,5% perseguida pelo BC, o que deixa espaço para a continuidade no ritmo de corte de juros. O IPCA esperado para 2018 se manteve em 4,20%.


O documento aponta expectativa de que Selic estará em 8% no fim de 2017 e 2018.


Às 13h48, o DI janeiro/2018 cedia a 8,520%, ante 8,535% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2019 recuava a 8,390%, ante 8,400% na mesma base de comparação.


O DI janeiro/2021, por sua vez, sobe a 9,450%, de 9,440% no ajuste anterior, numa aparente correção após queda recente.


Bolsa


A bolsa de valores brasileira sustenta uma leve alta, apoiada nos ganhos das empresas que dependem da demanda doméstica, as quais reagem à expectativa de queda dos juros, e nas produtoras de commodities.


Entre as companhias voltadas ao mercado consumidor local, são as construtoras que exibem os maiores ganhos. Uma redução no custo do crédito não apenas favorece a aquisição de imóveis como alivia o pesado endividamento das empresas do setor. Segundo as apostas majoritárias do mercado, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve cortar a Selic em 1 ponto percentual, para 9,25% ao ano - patamar mais baixo desde julho de 2013.


Já no segmento das matérias-primas, destacam-se Vale e Petrobras, que seguem o avanço das matérias-primas no mercado internacional.


O Ibovespa subia 0,33% às 13h49, para 64.875 pontos. O papel da construtora Cyrela subia 2,72%, liderando os ganhos no pregão. Vale PNA aumentava 1,98% e Vale ON tinha valorização de 1,75%. Petrobras PN registrava acréscimo de 1,10% e Petrobras ON apresentava elevação de 0,83%.


Triunfo, que entrou com pedido de recuperação extrajudicial para reestruturar R$ 2,1 bilhões em dívidas, subia 0,23%.

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