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Ibovespa recua com realização de lucros

Um dos eventos mais esperados do dia, a reunião de política monetária do Fed, o banco central americano, não teve forças para influenciar o desempenho da bolsa de valores. O Ibovespa encerrou o pregão com queda de 1% aos 65.011 pontos e giro financeiro de R$ 5,5 milhões, em um dia de realização dos lucros recentes. Sem forças para definir estratégias de longo prazo, os investidores reagem às notícias corporativas.


O Fed decidiu manter os juros inalterados entre 1% e 1,25% ao ano. Em tese, a manutenção dos juros nos Estados Unidos favorece os investimentos em renda variável. Esse efeito se percebe nas bolsas globais, que fecharam em alta. Mas, no Brasil, a força da realização de lucros acabou prevalecendo. Em comunicado divulgado após a decisão, o Fed informou que começará a reduzir o balanço "relativamente em breve", o que pode fazer com que o processo tenha início tão breve quanto no próximo encontro do banco central em setembro. No comunicado anterior, o Fed afirmava que iria começar o processo de redução do balanço "neste ano". Os investidores aguardam para logo mais a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que deve reduzir os juros básicos da economia em um ponto percentual, para 9,25% ao ano.


Entre as notícias corporativas que podem influenciar o comportamento do mercado está a fixação do preço das ações da resseguradora IRB, amanhã. Os papéis têm estreia prevista para 31 de julho, na bolsa de valores. A expectativa é de que a ação saia pelo preço mínimo de venda, que é de R$ 27,24. O preço máximo é de R$ 33,65. "Está aparecendo um problema com o IRB porque o mercado está comparando a resseguradora com a BB Seguridade, cujo preço não para de cair", diz um gestor. A ação da BB Seguridade fechou com baixa de 1,22% a R$ 27,46. De acordo com gestores, o movimento de queda seria um movimento para fazer caixa e comprar ações do IRB e uma tentativa de influenciar o preço do IRB para baixo. Neste mês, a ação da BB Seguridade já caiu 4,15%.


Os recentes lançamentos iniciais de ações (IPO, na sigla em inglês) na Bovespa mostram uma mudança no participação e no perfil dos investidores estrangeiros. De acordo com profissionais envolvidos nas transações, a presença dos estrangeiros nessas operações voltou aos níveis históricos, entre 50% e 60%. No ano passado, os estrangeiros respondiam por cerca de 30% das compras, em média.


O perfil dos investidores também teve mudanças. A participação dos fundos de curto prazo foi reduzida e aumentou a presença dos investidores de longo prazo. "É um sinal de que os investidores estão mais otimistas com a recuperação da economia no longo prazo e que as questões políticas não têm influenciado de maneira negativa as decisões de investimento", diz o executivo de um banco de investimentos que coordenou alguns lançamentos de ações.


A expectativa é de que os estrangeiros continuem participando dos próximos lançamentos de ações. Além de uma perspectiva de melhora na economia do país, o excesso de liquidez global favorece a aplicação em ativos de risco. "Se encerrarmos o ano com 20 IPOs e ofertas subsequentes (follow ons) será um resultado muito positivo", diz o executivo.


A participação dos investidores estrangeiros no lançamento de ações do Carrefour, em 20 de julho, e da Biotoscana, em 25 de julho, não foi divulgada oficialmente, mas a percepção dos gestores é de que ficou entre 50% e 60%. "A oferta do Carrefour foi bem dividida entre investidores locais e estrangeiros, ninguém recebeu mais do queria", diz um gestor de um fundo de investimentos. Como comparação, no começo do ano, em 8 de fevereiro, a presença dos estrangeiros no lançamento da Movida foi de 35%. No caso da Hermes Pardini ficou em 41% e aumentou para 86% no lançamento de ações da Azul, em 11 de abril.


Um dos fatores que devem continuar atraindo os investidores estrangeiros para novos IPOs é a rentabilidade dos papéis que já foram lançados. As ações da Hermes Pardini subiram 14,58% neste mês e os papéis da Azul tiveram alta de 13,86%. Já as ações da Movida têm baixa de 2,30% no período. Como comparação, o Ibovespa subiu 3,36% em julho. As ações do Carrefour acumulam leve baixa de 1,95% desde o lançamento e os papéis da Biotoscana sobem 1,58%.


Hoje, entre as ações mais negociadas do Ibovespa, os destaques de alta ficaram com as ações da JBS, que subiram 6,71%, com os papéis da TIM, que tiveram alta de 1,63% e do Pão de Açúcar, com ganho de 2,13%


A JBS fechou um acordo de renegociação de suas dívidas no Brasil. Ao todo, R$ 21,7 bilhões ? 93% das dívidas da JBS no Brasil ? foram repactuados. Os bancos aceitaram rolar o passivo por 12 meses.


A TIM teve lucro de R$ 219 milhões no segundo trimestre do ano, um aumento de 194% em relação ao mesmo período do ano anterior. O Grupo Pão de Açúcar reverteu o prejuízo e teve lucro de R$ 170 milhões no segundo trimestre do ano.


Os papéis do sistema financeiro fecharam com comportamentos distintos. A maior alta do dia ficou com o Santander, cujas units subiram 1,37%. O banco anuncia o resultado financeiro na sexta-feira. Já a maior queda do dia ficou com os papéis do Banco do Brasil, que recuaram 2,44%. "As questões fiscais continuam preocupando os investidores. Há dúvidas sobre a dificuldade do governo em obter receitas e a possibilidade de alteração da meta fiscal deste ano", diz Ari Santos, gerente de mesa Bovespa da H.Commor DTVM.


No setor de commodities, as ações PNA da Vale caíram 2,51% e os papéis ON recuaram 3,10%, em um movimento de realização de lucros depois da alta do dia anterior. O preço do minério de ferro subiu 1,37% para US$ 70,43 a tonelada, no porto de Qingdao, na China. As ações PN da Petrobras recuaram 1,82% e os papéis ON tiveram queda de 1,67%, também em um movimento de realização de lucros. Os contratos futuros de petróleo WTI fecharam em alta de 1,73% a US$ 48,73 o barril.

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