Investidor embolsa lucros e Ibovespa cai; dólar oscila

A forte alta das commodities hoje não é suficiente para impedir uma onda de realização de lucros na bolsa de valores brasileira depois de duas sessões consecutivas de ganhos. As operações de curto prazo são as de maior peso na Bovespa nesta quarta-feira.


Apesar da elevação do minério de ferro e do petróleo, Vale e Petrobras, que figuram entre as cinco empresas mais negociadas da Bovespa, recuam.


O setor de construção também tem destaque entre as perdas deste pregão com a proximidade da concretização da expectativa de queda de um ponto percentual da taxa Selic, ao final do dia. Mas, embora uma parte do mercado aproveite para embolsar os recentes ganhos, o cenário favorável traçado para esse segmento no médio prazo, de redução do endividamento das construtoras e estímulo à aquisição de imóveis, está mantido.


"A aposta de corte da Selic explica boa parte dos ganhos das companhias voltadas à demanda doméstica nas últimas semanas, por isso é esperado esse ajuste no momento em que as perspectivas se realizam", diz Paulo Figueiredo, economista da FN Capital em Petrópolis.


O Índice Bovespa recuava 0,72%, para 65.193 pontos, às 13h44, depois de ter subido 0,31% no seu nível máximo do dia até o momento. Na segunda e na terça-feira, o Ibovespa avançou 1,52%. O Índice Standard & Poor's GSCI de commodities, que é referência do mercado por reunir os preços de 24 materiais, há pouco subia 0,98%. O petróleo tipo Brent ganhava 1,29%, para US$ 50,85, o barril com entrega em setembro negociado na bolsa de Londres. O minério de ferro fechou com elevação de 1,37% na China, cotado a US$ 70,43 a tonelada.


A ação preferencial tipo A da Vale recuava 0,80%, para R$ 28,43, e a ordinária caía 1,05%, para R$ 30,29. A PN da Petrobras perdia 0,38%, a R$ 13,17, e a ON recuava 0,29%, para R$ 13,73.


O Índice Imobiliário da B3, que acumula elevação de 7,12% no mês - a maior entre sete grupos setoriais -, recuava 0,80%.


A realização de lucros também está afetando as empresas que acabaram de divulgar bons resultados trimestrais.


A varejista de moda Renner caía 3,44%, para R$ 29,16, mesmo tendo surpreendido o mercado ao anunciar que o seu lucro líquido aumentou 10,7% no segundo trimestre deste ano contra o mesmo período de 2016, atingindo R$ 193,6 milhões. A média das projeções de seis analistas compiladas pelo Valor PRO era de uma elevação de 9,7% no lucro. Na opinião de analistas, a Renner vai ter muito mais dificuldade para aumentar seus lucros daqui em diante, depois de vários trimestres de resultados sólidos.


Além de aguardar o fim da reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom), que deve reduzir a taxa de juros de referência da economia para 9,25% ao ano - menor nível desde julho de 2013, os investidores também estão atentos, hoje, à decisão do banco central americano (Fed, o Federal Reserve) sobre a sua política monetária. Embora não se preveja aumento dos juros, indicações a respeito de quando a instituição pretende começar a diminuir o seu balanço são aguardadas com ansiedade.


Dólar


O dólar oscila próximo da estabilidade nesta quarta-feira. Ao longo da manhã, a divisa oscilou entre ganhos e perdas, sem direção clara, enquanto os investidores aguardam a decisão de política monetária do Federal Reserve. A leitura no mercado é de que o banco central americano não deve elevar sua taxa de juros, atualmente no intervalo de 1% e 1,25%, nem alterar de forma significativa o discurso em torno de novos apertos. Por outro lado, as atenções se voltam para possíveis sinais sobre o cronograma da redução do balanço patrimonial, que deve começar ainda em 2017.


Profissionais de mercado apontam que o Fed pode indicar que o plano sobre colocado em prática em setembro ou dezembro. O anúncio desta tarde não é acompanhado de coletiva de imprensa ou de atualização das estimativas dos dirigentes do banco. Por isso, as sinalizações devem ser mais sutis, evitando com a instituição se comprometa com um determinado caminho.


"Se não houver novidades, o mercado tira essa questão da frente e o dólar pode voltar a cair", diz o operador de câmbio de uma corretora paulista. Para o profissional, o risco de alta na moeda é menor. "Com os dados de inflação baixa nos EUA, não tem grandes justificativas para o Fed ser mais hawkish", acrescenta.


Um aumento adicional de juros neste ano ainda é vista com alguma dúvida, o que nas últimas semanas abriu caminho para desvalorização da moeda dos EUA. Em 2017, já foram executados dois movimentos pelo Fed, em março e junho. Agora, de acordo com dados do CME Group, um novo aperto é precificado com pouco menos de 50% de chance.


Por volta das 13h42, o dólar comercial recuava 0,18%, cotado a R$ 3,1613. O sinal também era de baixa ante alguns dos principais emergentes, como a lira turca e o rand sul-africano. Já o peso mexicano seguia bem próximo da estabilidade.


Domesticamente, os investidores ainda acompanham o debate em torno da situação fiscal. Em meio a discussões sobre a possibilidade de revisão da meta fiscal de 2017, já surgem relatos de que o governo estaria se preparando para anunciar novas medidas de ajuste no sentido de aumentos adicionais de tributos ou ofensivas no lado das despesas.


Um assunto que veio a tona, em meio ao debate fiscal, é o impacto no ministro Henrique Meirelles e sua permanência no governo. Por ora, o assunto é visto com atenção, mas o risco não afeta o mercado de maneira suficiente para se traduzir na depreciação significativa dos preços domésticos.


De acordo com oValor, fontes do governo apontam que não faz sentido falar de rever a meta fiscal no momento em que se acaba de anunciar um aumento de impostos e um aperto adicional no corte de gastos. Ainda assim, a hipótese não pode ser completamente descartada, assim como a possibilidade de aumentar tributos não poderia.


Juros


O mercado de renda fixa tem uma sessão de oscilações limitadas nesta quarta-feira. É quase consensual a aposta de que o Copom reduzirá a taxa básica de juros, a Selic, em 1 ponto percentual, a 9,25% ao ano. Com isso, os juros futuros de prazos mais curtos aguardam o anúncio do colegiado, no fim da tarde, à espera de sinais sobre os próximos passos da autoridade monetária.


ODI janeiro/2018 e o DI janeiro/2019 operavam a 8,515% e 8,410%, mesmo níveis dos respectivos ajuste anteriores.


O DI janeiro/2021, por sua vez, subia 9,520%, ante 9,500% na mesma base de comparação.

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