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Ibovespa arrisca movimento de recuperação; dólar sobe a R$ 3,15

O Ibovespa arrisca um movimento de recuperação nesta quinta-feira, embalado principalmente pelos ajustes do mercado em relação ao rumo da taxa de juros. Uma onda de revisões de projeções para a Selic no fim do ano foi deflagrada pelo comunicado do Copom de ontem, que decidiu por cortar a taxa em um ponto, para 9,25%, exatamente como se esperava - mas sinalizando que o ritmo deve ser mantido no encontro de setembro. Agora, a possibilidade do juro retomar a mínima histórica, de 7,25%, volta à cena.


De um modo geral, a queda dos juros tem um efeito direto e quase imediato sobre o mercado de ações porque altera o "valuation" das empresas. Além disso, beneficia neste momento, pela ordem, companhias alavancadas, que devem sentir o alívio do custo de rolagem de suas dívidas - como construtoras -, e daquelas que têm sua atividade ligada ao consumo e crédito, como construtoras e bancos.


O impulso positivo dos juros, entretanto, não é suficiente para tirar o Ibovespa da faixa dos 65 mil pontos, onde se encontra desde o dia 13 de julho. Isso se explica, em grande parte, porque o mercado já vem ajustando os preços do mercado há meses a partir da leitura de que o ciclo monetário poderia ser mais extenso. O corte adicional que começa a ser precificado tem, portanto, menos força para impulsionar o mercado.


"Boa parte da pernada dos juros sobre a bolsa já foi. Agora, o mercado quer ver o resultado das empresas", define um operador, que prefere não ser identificado. A safra de balanços, portanto, será fundamental para alinhar os próximos movimentos do mercado.


Essa dúvida sobre a reação da atividade e, consequentemente, sobre o resultado das companhias também acaba limitando o efeito positivo do exterior. Ontem, as bolsas americanas tiveram forte alta, respondendo à decisão do Fed de manter o juro, mostrando-se ainda mais "dovish", ao lembrar que a inflação segue abaixo da meta. Essa comunicação levou o mercado a retirar a precificação de novas altas de juro neste ano, levando as bolsas de Wall Street a cravar novo recorde hoje.


Às 13h25, o Ibovespa subia 0,88%, aos 65.570 pontos. A maior alta era marcada por JBS ON (6,16%), seguida de Natura ON (4,96%). Petrobras (0,59% ON e 0,77% a PN) conta com o efeito também da alta do petróleo, que testou máximas nesta manhã (0,65% para US$ 51,30).


Já Vale sobe 1,31%, a ON, e 0,75%, a PNA, reage também ao balanço da companhia. A Vale registrou lucro de R$ 60 milhões no segundo trimestre, uma queda de 98,3%. O desempenho foi fortemente afetado pelo câmbio. Do lado operacional, houve boas notícias.


Dólar


O dólar retoma a alta nesta quinta-feira e sobe ao nível de R$ 3,15. O mercado doméstico se alinha a boa parte das divisas globais, incluindo algumas emergentes e as principais moedas commodities. Pelo mundo, o papel dos Estados Unidos se recupera ao longo da sessão após registrar forte queda na véspera em resposta ao anúncio de política monetária do Federal Reserve.


Numa lista de 33 moedas, apenas 10 divisas globais ganham terreno ante o dólar. Ontem, a tendência era justamente a contrária após a autoridade monetária americana confirmar as expectativas ao manter os juros no intervalo entre 1,00% e 1,25% ao ano. O mercado, ao ler o comunicado do BC dos EUA, reagiu como se a normalização da política monetária pudesse ser ainda mais lenta e gradual.


O Fed foi mais contundente em relação à trajetória baixista da inflação, ao mudar o comunicado, dizendo que os preços estão correndo "abaixo da meta", de "levemente abaixo da meta" do comunicado da reunião de junho. Também disse que o balanço começará a ser reduzido "relativamente em breve".


Por aqui, às 13h25, o dólar comercial subia 0,35%, a R$ 3,1539, tendo avançado até a máxima de R$ 3,1559 nesta manhã. A baixa acumulada no mês, entretanto, seguem em cerca de 5%.


Amanhã, estão previstos os números do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, que podem trazer instabilidade adicional ao câmbio. Além disso, se aproximam eventos importantes no Brasil na próxima semana como a votação da denúncia contra Michel Temer na Câmara dos Deputados.


Juros


O mercado de renda fixa calibra as apostas para a trajetória da Selic, agora que boa parte das projeções incluem novo corte de 1 ponto percentual da taxa e um nível cada vez mais baixo no fim do ciclo. Os juros futuros refletem os ajustes e registram nesta quinta-feira as maiores quedas desde meados de maio. O movimento é mais acentuado nos vértices de intermediários e de curto prazo, que recuam às mínimas históricas, embora a queda seja observada ao longo da curva.


ODI janeiro/2018 caía a 8,280% (8,500% no ajuste anterior) e DI janeiro/2019 recua a 8,140% (8,390% no ajuste anterior). São justamente estes os vencimentos que concentram o maior volume de negócios, sinalizando que "jogo" desta manhã reside na política monetária.


O DI janeiro/2021, por sua vez, cai a 9,350% (9,500% no ajuste anterior), tendo marcado mínima em 9,280%.

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