Indicador de Incerteza da Economia recua em julho, apura FGV

O Indicador de Incerteza da Economia (IIE-Br) da Fundação Getulio Vargas recuou 6,5 pontos em julho, ao passar de 142,1 pontos para 136 pontos. Embora recupere parte da alta acumulada de 23,7 pontos nos dois meses anteriores, o indicador permanece em nível historicamente elevado.




O economista Pedro Costa Ferreira, da fundação, classificou o movimento como um ajuste, tendo em vista a forte elevação no resultado anterior do índice, de 14,4 pontos, entre maio e junho, causado por acirramento da crise política.


Assim, para o especialista, na prática, a queda expressiva na pontuação não representaria sinal de trajetória sustentável de recuo do indicador para os próximos meses. "O que houve foi um ajuste, causado por uma série de fatores. O indicador estava em um nível muito elevado, e era esperado que fosse cair", disse, comentando que o mercado, em julho, teve tempo de "digerir" a piora no cenário político do país.




Ferreira lembrou que a elevada magnitude de aumento do índice, em junho, deveu-se à divulgação, em meados de maio, da conversa entre o presidente Michel Temer (PMDB) e o dono do grupo JBS, Joesley Batista, com suspeitas de práticas de corrupção. Isso elevou muito a incerteza na economia, porque, na época, a impressão era de que a saída de Temer da presidência poderia ser quase que imediata - o que elevou cautelas sobre qual seria impacto na condução de política econômica, bem como influência na economia real.




No entanto, ele observou que, com passar do tempo, a possibilidade de saída de Temer aparentemente não aparece como opção imediata. Ao mesmo tempo, há pouco mais de uma semana houve vitória do governo na votação em que foi rejeitada, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, denúncia contra o presidente, recordou ele.




Outro aspecto que ajudou a diminuir incerteza foi uma espécie de "desvinculação" entre uma possível saída de Temer e a troca de toda a equipe econômica. Ferreira comentou que, com possibilidade da troca de comando na presidência da República, um dos substitutos imediatos mais prováveis seria o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ). E Maia não aparenta, até o momento, ter perfil de que efetuaria mudanças radicais na equipe econômica, observou o economista.




Ferreira preferiu não fazer projeções exatas para o andamento do índice. "Se nada novo acontecer [na política], se tudo se mantiver como está, o indicador pode cair. Mas o problema é que, hoje, o imponderável tem sido regra e não exceção", afirmou.

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