Barroso sugere reforma política como saída a sentimento de devastação

O ministro Luis Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a reforma política como solução para o que considera um "sentimento de devastação" gerado pela corrupção e pela crise política no país.


"Nós somos um país que se perdeu na história, que se desencontrou de si mesmo, que se desencontrou da sua gente, que se desencontrou do seu destino. É preciso começar a mudar, a partir dessa constatação evidente", avaliou Barroso, durante palestra realizada nesta terça-feira em São Paulo e promovida pela Consulting House.


O ministro disse que "é impossível não sentir vergonha" da corrupção no Brasil, e citou diretamente o caso das delações da JBS, em que o empresário Joesley Batista gravou conversa mantida com o presidente Michel Temer em encontro ocorrido tarde da noite no Palácio do Jaburu. "Os áudios, os vídeos e as malas de dinheiro", disse. "As provas saltam de qualquer espaço", concluiu.


Para Barroso, a reforma política é uma pauta que segundo ele demanda uma "urgência desesperada" e que legitimaria o processo eleitoral, facilitando a governabilidade. Ele também defendeu a realização das reformas previdenciária, tributária e trabalhista.


Barroso afirmou que o sistema político brasileiro é "intrinsicamente desonesto" e disse que não se pode admitir na sociedade falta de vontade política para mudar tal situação. "Nós nos conformamos com a desonestidade, nos acostumamos a ser conduzidos pelos desonestos".


Na opinião do ministro do STF, a sociedade precisa se mobilizar para colocar a classe política "na direção do bem, para acabar com o modelo político de pessoas que sugam, saqueiam o país".


Na avaliação de Barroso, um fundo nacional para custeio de candidaturas pode ser uma saída. A proposta está sendo estudada na Câmara dos Deputados e pode reunir bilhões de reais.


"Neste momento, esse tipo de financiamento é melhor do que o financiamento empresarial, que nos trouxe a este quadro devastado", afirmou. Para Barroso, o financiamento privado tinha uma "feição mafiosa" e era "imoral e manifestamente inconstitucional".


Crítico do que classifica como uma "operação abafa" que teria como objetivo desmobilizar as investigações da Lava-Jato, Barroso disse ainda que "uma fotografia atual do país pode dar a entender que o mal compensa".

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