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Ibovespa ultrapassa os 74 mil pontos e dólar registra queda

O Ibovespa inicia a segunda etapa do último pregão do trimestre sinalizando que a força compradora e a demanda dos investidores por ativos locais ainda permanece, mas também em parte indicando que de fato serão necessárias novas notícias da frente doméstica e internacional para que o índice tome impulso rumo a novos recordes.


Às 14h33, o principal índice da bolsa de valores subia 0,79%, aos 74.151, mais uma vez cedendo a uma pequena acomodação ao longo do dia, depois de atingir a máxima intradia dos 74.518 pontos.


Entre os destaques, a maior alta era da Cyrela ON (4,34%), seguida por CSN ON (4,30%), Kroton ON (3,77%), Smiles ON (3,20%) e JBS (2,91%).


Analistas e operadores sustentam que a tendência de alta para a bolsa permanece, mas será cada vez mais dependente de desdobramentos na políticos internos para avançar, de olho na reforma da Previdência, no andamento da segunda denúncia contra o presidente Temer no Congresso e nas eleições presidenciais.


Do lado externo, o índice também deve continuar mantendo no foco o movimento de alocação de investimentos em mercados emergentes, conforme caminham as expectativas quanto à alta de juros nos Estados Unidos, evento de grande potencial de enxugamento da liquidez internacional.


"O vencimento de mês, semana e trimestre abre uma recuperação mais forte, mas o índice só vai caracterizar que o mercado está voltando de fato a um ritmo mais forte se ultrapassar os 75 mil pontos, onde o movimento de acomodação ainda é grande", afirma Álvaro Bandeira, economista-chefe da Modalmais. Relatório desta manhã da equipe de análise gráfica do Itaú BBA corrobora o nível-chave de 75 mil pontos para o índice retomar força.


Bandeira pondera também que, dada a possibilidade de ajustes de posição, movimento que ainda não cessou, a alta do Ibovespa pode não ser mantida até o fim do pregão, com uma perda de força natural e com a saída dos compradores.


Dólar


No último pregão do mês e do trimestre, o dólar retomou a trajetória de queda, a despeito de um ajuste para cima da moeda americana no exterior. Esse movimento ocorre com a conclusão da disputa da formação da Ptax, que tradicionalmente mexe com os preços na última sessão do mês. Desta vez, essa taxa ganha especial relevância porque, além de balizar o vencimento de derivativos, ela é a referência para o fechamento de balanços das empresas.


Às 14h42, o dólar comercial caía 0,57%, a R$ 3,1638. Na mínima, tocou R$ 3,1565 e, na máxima, alcançou R$ 3,1905. O dólar para outubro é negociado a R$ 3,168, com queda de 0,47%.


Passado o efeito da Ptax e do vencimento dos contratos de swap cambial, operadores consideram que o dólar terá melhor desempenho se comparado a seus pares. Para alguns analistas, foi o fato de o Banco Central programar o resgate de cerca de US$ 4 bilhões em contratos, o equivalente a 40% do vencimento do dia 2 de outubro, é uma das razões para o real ter mostrado uma das piores performances no mês de setembro. Passado o evento, portanto, a moeda encontraria espaço para se alinhar às demais divisas emergentes.


Juros


Em um dia mais positivo para risco no exterior, os juros futuros encontraram espaço para mais alguma queda. O recuo do dólar contribui para estimular a ala vendedora do mercado, embora investidores ainda esperem por notícias mais positivas - seja sobre inflação, seja no campo político - para reduzir de forma mais expressiva o prêmio de risco das taxas mais longas.


Às 14h44, DI janeiro/2019 tinha taxa de 7,270%, de 7,290% ontem, DI janeiro/2021 era negociado a 8,780%, ante 8,830% ontem, e DI janeiro/2023 cedia a 9,460%, de 9,520%.


O mercado começa a enxergar, nas coletas diárias de preço, especialmente as de alimento, sinais de que as surpresas para baixo da inflação podem estar no fim. E, com isso, a visão mais ousada para a política monetária ficaria em questão. O ritmo de retomada da atividade, dizem analistas, é outro elemento que tem sido acompanhado atentamente na definição desses cenário.

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