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Ibovespa se recupera após quatro sessões de queda; dólar volta a cair

Após quatro sessões consecutivas e baixa, o Ibovespa tem uma sessão de firme recuperação, num movimento que alcança diferentes setores e papéis, que ontem também haviam caído em bloco.


Às 13h18, o Ibovespa subia 0,92% para 76.426 pontos. Na máxima, alcançou 76.791 pontos.


Os ganhos estão espalhados, o que caracteriza o movimento de ajuste em relação ao pregão de ontem. A alta alcança infraestrutura (Rumo, alta de 4%), consumo (Qualicorp, 2,93%, e Ambev, 2,52%), construção (Cyrela, 2,61%) e energia (2,56%).


O recuo dos juros futuros contribui para a reação positiva da bolsa, juntamente com o ambiente externo. Hoje, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, afirmou na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado que o cenário básico para a inflação não se alterou de forma material desde a última reunião do Copom e o Relatório de Inflação, o que sugere ao mercado que a queda da Selic vai prosseguir.


Do lado da atividade, merece atenção a notícia de que a expedição de caixas, acessórios e chapas de papelão ondulado cresceram 6,21% em setembro ante igual período do ano passado, embora tenha recuado 6,45% em relação a agosto (sem ajuste sazonal). O número corrobora a tese de recuperação da atividade, ainda que de forma lenta.


Dólar


O dólar opera em baixa desde o começo da sessão desta terça-feira, devolvendo parte da alta observa nos últimos dias. Ainda assim, a cotação continua num nível acima do observado no começo deste mês, período em que a discussão sobre os efeitos dos ajustes da política monetária americana segue aquecida.


O mercado vem se ajustando à percepção de que o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) caminha para nova elevação de juros em 2017. O economista sênior Vladimir Miklashevsky, do Danske Bank, aponta que o aperto monetário do Fed "arrefecerá os enormes investimentos em carteira em ativos brasileiros e de outros emergentes". Ainda assim, o movimento será menos negativo que há alguns anos, diante da desalavancagem nessas praças. "Não esperamos um fortalecimento significativo do dólar que poderia prejudicar o Brasil no longo prazo", diz o especialista.


O chefe de pesquisa global da Ashmore, Jan Dehn, não descarta o efeito de curto prazo trazido por preocupações com o aperto monetário. No entanto, o ambiente global da taxa de juros ainda permanecerá muito benigno. "O Fed não vai querer elevar muito os juros enquanto reverte o relaxamento quantitativo", com redução do balanço patrimonial, pontua.


Hoje, o dólar caiu até a mínima de R$ 3,1617, quando baixava 0,73%. Nesse ponto, chegou a zerar a alta do mês. No início da tarde, entrentato, a cotação voltou a operar acima de R$ 3,17. às 13h52, estava cotado em R$ 3,1763, queda de 0,28%. O dólar para novembro estava em R$ 3,187, com recuo de 0,36%.


O risco geopolítico ainda permeia os mercados. Desta vez, o foco se volta para o presidente do governo regional catalão, Carles Puigdemont, que pode declarar a independência unilateral da região.


Domesticamente, os investidores têm revelado postura relativamente tranquila com o cenário político. Eles trabalham com a perspectiva de que a denúncia da Procuradoria Geral da República (PGR) contra Michel Temer será barrada na Câmara. Ainda assim, o cronograma para evolução da reforma da Previdência na administração Temer é apertado. O ano eleitoral de 2018 está chegando e, dificilmente, os políticos se arriscariam em defender um projeto impopular em meio às suas campanhas.


Hoje, está prevista a apresentação do relatório do deputado Bonifácio de Andrada (PSDB-MG) sobre a denúncia da PGR contra Temer e os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência da República).


Juros


Os juros futuros operam queda hoje. O movimento se estende de trechos mais curtos até os mais longos, com redução de parte do prêmio embutido nos últimos dias. Ainda assim, a inclinação da curva - que serve de termômetro de risco - segue em níveis mais altos que no começo do mês.


Em boa parte, o avanço recente de juros longos é atribuído a reprecificação das expectativas para o aperto monetário do Federal Reserve. Os vértices também tendem a ser mais afetados por eventuais sustos geopolíticos, como a crise diplomática entre Turquia e Estados Unidos.


Na política, é monitorada a tramitação no Congresso da denúncia contra o presidente Michel Temer com expectativa de que o peemedebista deve conseguir barrar o processo.


Na outra ponta, ainda há catalisador do afrouxamento monetário, fator que também tende a ampliar a inclinação da curva. Os juros mais curtos seguem em baixa diante da leitura da maioria dos agentes financeiros é de que ainda há espaço para corte da taxa de juros, a Selic, até o nível de 7%. Esse caminho incluiria a redução de 0,75 ponto da taxa na reunião do Copom em outubro, algo que já estaria plenamente precificado na curva de juros.


Por volta das 14h, DI janeiro/2018 cai a 7,420% (7,435% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2019 recua a 7,320% (7,350% no ajuste anterior).


O DI janeiro/2021 baixa a 8,930% (9,000% no ajuste anterior) enquanto o dólar comercial cai 0,21%, a R$ 3,1783.


Entre vencimentos mais longos, o DI janeiro/2023 cai a 9,620% (9,700% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2025 cede a 9,930% (9,990% no ajuste anterior).

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