Ibovespa cai pressionado por exterior e dólar opera em alta

O Ibovespa inverteu o sinal no fim da manhã e passou a operar em queda. Já perdeu os 74 mil pontos e tenta agora equilibrar-se acima dos 73 mil pontos. Segundo profissionais, a alta dos juros dos Treasuries americanos após os dados do PIB americano explicou a perda de fôlego dos ativos domésticos, inclusive da bolsa. O juro da T-note de 10 anos avançou de 2,356% para 2,372%, elemento que provoca um ajuste moderado de preços em outros ativos de risco.


Mas comenta-se também nas mesas de operação que a queda da bolsa foi intensificada pela atuação de um fundo estrangeiro, que estaria vendendo ações com o objetivo de participar da oferta de ações da BR Distribuidora, que acontecerá em dezembro. No caso de player, a operação pode estar relacionada à necessidade de equilibrar o nível de exposição - para comprar BR, o fundo teria que diminuir posições em outros papéis.


A necessidade de fazer caixa para participar das três importantes ofertas de ações - BR Distribuidora, Neoenergia e Burger King - previstas para dezembro pode vir a ser também um elemento de pressão sobre o mercado à vista nestes dias. Isso porque, segundo explica o head de equities da CM Capital Market, Fabio Carvalho, tudo indica que o investidor local deve ter importante participação dessas operações. "É muito possível que esses players tenham que fazer caixa para participar dessas ofertas", afirma o especialista, lembrando que o fato de a bolsa seguir operando de forma "lateral" é um sinal de que há pouco dinheiro novo disponível.


Às 14h00, o Ibovespa caía 1,17% para 73.274 pontos. Na mínima, chegou a 72.894 pontos. Antes dos dados do PIB dos EUA, chegou à máxima de 74.515 pontos.


Na bolsa local, Braskem segue destacando-se na ponta positiva (+2,56%), sob efeito da decisão da empresa antecipar o pagamento de R$ 1 bilhão em dividendos para os acionistas com posição até 1º de dezembro. Entre as maiores quedas, o destaque é CPFL (-2,43%).


Na outra ponta, está CPFL, uma das maiores quedas nesta manhã. A ação é pressionada pela oferta pública de aquisição (OPA) obrigatória das ações da CPFL pela StateGrid, prevista para amanhã. Foi fixado em R$ 27,69 o preço oferecido por ação. Neste momento, o papel é negociado a R$ 26,31. Para estar habilitado a participar da operação, o investidor precisa ter ação em carteira até o dia da operação. Assim, quem comprou o papel entre ontem e hoje, não deve ter esse direito, o que explica o desinteresse pela ação neste momento.


Câmbio


O exterior abre espaço para uma nova alta do dólar nesta quarta-feira. A moeda americana avançou até o nível de R$ 3,22 no início da tarde. Como a moeda americana caiu em sete das últimas oito sessões, é possível dizer que a elevação de hoje é um movimento de correção.


O avanço se intensificou diante de novos sinais de retomada econômica nos Estados Unidos. O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país foi revisado para 3,3% no terceiro trimestre, em linha com as expectativas. Do lado inflacionário, também houve ajuste para cima. O núcleo do índice de preços de gastos com consumo (PCE) foi ajustado para 1,4% no período, ante 1,3% na leitura anterior.


A resposta dos ativos globais é de fortalecimento do dólar, ainda o ímpeto seja moderado. Numa lista de 33 divisas globais, apenas oito ainda ganham terreno ante a divisa americana. Por outro lado, o dólar australiano e o rand sul-africano perdem pouco mais de 0,50%, sendo os destaques de baixa até o momento. O desempenho do real é o sexto pior da sessão.


Por volta das 14h00, o dólar comercial subia 0,17%, cotado a R$ 3,2144, distanciando-se da mínima do dia, de R$ 3,2021.


Apesar da correção desta quarta-feira, o ambiente externo ainda se mostra favorável para emergentes. O impulso da economia dos EUA é sinal favorável para a atividade dos emergentes. E embora haja sinais de alguma aceleração inflacionária, os dirigentes do Federal Reserve ainda alertam para os preços baixos no país, algo que inibe a alta de juros por lá.


Hoje, a presidente do Federal Reserve, Janet Yellen, reiterou o discurso de que o núcleo inflacionário permanece surpreendentemente contido. Yellen está deixando o cargo e deve ser substituída por Jerome Powell, que sinalizou ontem em sabatina no Senado que não tem pressa na alta de juros.


"Lá fora, não se sabe por quanto tempo, mas ainda se configura o interregno benigno", diz Jayro Rezende, gerente de Tesouraria do Banco da China. Para o especialista, o dólar ainda deve orbitar em torno de R$ 3,20. Além do sinal externo, o que pode garantir um alívio maior é o andamento da reforma da Previdência.


O avanço da medida ainda exige apoio parlamentar, algo que mantém a cautela entre os agentes financeiros. Conforme aponta o Valor, os primeiros diagnósticos na contagem de votos pela base aliada apontam cerca de 220 deputados que, forçados a votar, poderiam apoiar o texto, número bem inferior aos 308 necessários. Hoje, o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, pediu apoio do PSDB para a votação e afirmou que, por ora, seria prematuro contar votos.


O debate mais intenso sobre a Previdência limita o pessimismo com a iniciativa. "A incerteza nesse tema é mais sobre o timing do que resultado final", diz Rezende, do Banco da China. Com isso, ele vê inclusive que o dólar pode cair até R$ 3,15 no curto prazo se houver sinalização positiva com a medida.


Juros


Os juros futuros voltam a subir nesta quarta-feira, espelhando a movimentação no exterior. Sinais de fortalecimento da economia dos EUA garantem o avanço dos rendimentos de títulos americanos e do dólar. Profissionais de mercado apontam que ainda há prêmio a ser explorado em aplicações nos ativos locais, apesar da pressão lá fora.


Sinal do ajuste desta tarde pode ser constatado no DI janeiro para 2021, que avança a 9,250%, ante 9,190% no ajuste anterior. Com isso, a taxa se distancia da mínima de 9,130% registrada mais cedo.


O DI janeiro/2019 subia a 7,100% (7,080% no ajuste anterior) e o DI janeiro/2020 avançava a 8,360% (8,300% no ajuste anterior).

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