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Dono da Riachuelo, Flávio Rocha critica governo Temer

18/01/2018 14h55

Em carta divulgada na noite de ontem (17) em Nova York, o empresário Flavio Rocha, do grupo Riachuelo, e membro do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV), maior entidade do setor no país, lançou um manifesto chamado Brasil 200, em referência aos 200 anos de independência do país a ser comemorado em 2022, quando termina o próximo mandato do futuro presidente.

Na carta, Rocha faz críticas à letargia da “elite empresarial” nas discussões em torno da busca de “um país mais livre”, e diz que “a leve recuperação do Brasil atual não pode significar, de forma alguma, o esquecimento de como chegamos até aqui”. Também critica o atual governo, de Michel Temer (MDB), e a política econômica do governo petista de Dilma Rousseff (PT), que “jogou o país num buraco”.

“O Brasil é um país sem memória, mas não é possível que em pleno ano eleitoral não se fale a cada oportunidade, todos os dias, do período nefasto de quase 15 anos em que uma quadrilha saqueou o Brasil, aparelhou as instituições, usou bancos e obras públicas para enriquecimento privado numa proporção jamais vista e que, espero, nunca mais aconteça”, escreveu.

O texto foi lido durante a terceira edição do Retail Executive Summit, em Nova Iorque (EUA), que ocorre em paralelo à NRF, o maior evento de varejo do mundo. No evento, a maior delegação de empresários deste ano pertence ao Brasil. Rocha tem liderado essas discussões dentro do IDV, entidade que entre os seus associados estão Grupo Pão de Açúcar, Lojas Renner, Magazine Luiza, Via Varejo, entre outras empresas de capital aberto.

Segundo ele, “não é possível que o líder das pesquisas no Brasil para presidente hoje seja não apenas o maior responsável pela crise como um criminoso condenado a 9 anos e meio de prisão em apenas um de inúmeros processos que responde”, em referência ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Rocha continua: “Que mensagem o país está passando para a classe política e para o mundo? Que aqui o crime compensa? Que o brasileiro aprova a roubalheira? Não é possível que a lição, a mais dura de todas, não tenha sido aprendida”.

O empresário, da família fundadora da Riachuelo, disse que o país está “mergulhado na pior crise econômica e também ética e moral da sua história”.

Segundo ele, “não há nada de casual na crise brasileira”, diz. “Desde 2009, quando nasceu a famigerada e insana ‘nova matriz econômica’, o Brasil foi jogado num buraco que ainda levaremos muitos anos para sair. E nós varejistas sabemos isso como ninguém, sabemos da dificuldade do povo brasileiro de manter seu nome limpo, de pagar suas contas, de ter condições mínimas de consumo”.

Sobre a atual administração, Rocha disse que “o Brasil hoje não tem um governo, é o governo que tem um país que vive para sustentar sua gastança, seu desperdício, seu endividamento, seus ralos bilionários de corrupção e clientelismo, suas regulações insanas, seu intervencionismo retrógrado, sua aversão ao liberalismo e ao empreendedorismo, seu paternalismo autoritário, sua incompetência criminosa e sua fome insaciável por poder, dinheiro e ingerência na vida do cidadão e das empresas. É preciso dar um basta”, disse ele, durante a leitura da carta.

“Minha mensagem para vocês hoje não é apenas para aplaudir os bons números da economia e do varejo, mas para lembrar como a recuperação econômica do Brasil ainda é frágil, como ainda somos vulneráveis, como cada pequeno avanço que estamos fazendo pode nos deixar esquecer o tamanho do abismo que está logo na esquina”.

Na avaliação dele, o rebaixamento da nota de crédito do Brasil pela Standard & Poor’s na semana passada foi um “duro lembrete de quanto ainda temos que caminhar para um crescimento realmente sustentável e que abra mais oportunidades para um país com mais de 12 milhões de desempregados”.

“O livre mercado não é apenas a melhor arma contra a pobreza, é a única. Todos nós, em algum momento da vida, precisamos fazer uma escolha. Ou estamos ao lado dos pobres ou da pobreza. Ou temos amor aos mais necessitados ou temos ódio aos ricos. São sentimentos incompatíveis. Se você é solidário ao pobres, faz tudo para que saiam da pobreza. E é o livre mercado que pode gerar oportunidades e riqueza para todos, especialmente os mais pobres. Quando vamos aprender esta que é a mais básica das lições da história?”

Na avaliação do empresário, é o momento de mostrar que é possível um outro caminho, mencionando o ano de 2022, quando se completa 200 anos de independência do país.

“Quero sugerir a todos vocês que chegou a hora de uma nova independência: é preciso tirar o estado das costas da sociedade, do cidadão, dos empreendedores, que estão sufocados e não aguentam mais seu peso”.

Rocha disse que foi formado, junto com outras lideranças da sociedade civil, o “Movimento Brasil 200 Anos”, em que vai discutir novos caminhos e metas para auxiliar no próximo governo.

Rocha faz uma crítica para a “elite empresarial brasileira”, da qual diz que faz parte, “e não tem liderado como deveria o processo de tornar o Brasil um país mais livre, parte dela sócia do assalto ao estado com prejuízos incalculáveis para a população mais carente”.

“Sem uma elite comprometida de corpo e alma com o progresso, com o avanço institucional, com mais liberdade e menos intervencionismo, com a diminuição do estado hipertrofiado, não vamos a lugar algum”.

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