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Investidor embolsa lucro e Ibovespa cai; dólar sobe

23/01/2018 14h48

O Ibovespa sucumbiu à realização de lucros liderada por ações ligadas a commodities mas que, na visão de especialistas, pode refletir já alguma cautela diante da proximidade do julgamento do ex-presidente Lula pelo TRF-4. O comportamento lateral das bolsas americanas acaba abrindo espaço para esse ajuste.


Às 13h45, o Ibovespa caía 0,77% para 81.046 pontos. Mas o índice chegou a recuar a 80.646 pontos, depois de atingir a máxima de 81.676 pontos logo na abertura do dia.


Quem está direcionando o comportamento da bolsa hoje são Vale e ações de siderurgia, que figuram entre as maiores quedas do dia. Vale ON recuava 3,66% e também tinha o maior volume de negócios até o momento, de R$ 529 milhões. A líder na ponta negativa, entretanto, era Bradespar (-4,10%, seguida por Gerdau Metalúrgica (-3,93%) e CSN ON (3,72%). Usiminas PNA recuava 3,20%.


Eletrobras também tem queda expressiva (-2,02% a ON e -2,97% a PNB)), um dia após a ação ter disparado em reação à decisão do governo de encaminhar ao Congresso o projeto de lei que prevê a privatização da companhia.


O mercado demonstra, de todo modo, cautela à espera pelo julgamento de Lula. Vale lembrar que o mercado "colocou no preço" uma probabilidade muito alta de o petista ser condenado, com grandes chances dessa decisão ser unânime.


"O mercado precifica cerca de 60% a 70% de o placar no TRF-4 ser unânime, e 30% a 40% de ser 2 a 1", define Ronaldo Patah, estrategista de investimentos do UBS Wealth Management. Se a votação for unânime, a pena mantida e ficar consolidado um quadro em que o petista não possa realmente se candidatar, Patah acredita que haverá um rali dos mercados, que pode levar o Ibovespa para 100 mil pontos nos próximos meses. Hoje, o cenário-base do UBS é de o Ibovespa terminar o ano entre 85 mil e 90 mil pontos. "Lula fora da eleição, num ambiente de mercado internacional positivo, geraria uma corrida para bolsa e para o dólar", afirma. Mas caso as chances de Lula se candidatar sejam mantidas, o que se espera num placar de 2 a 1, dada a chance de recurso, os mercados poderão devolver, no curto prazo, cerca de metade do que melhoraram ao longo deste ano. Isso significaria ver o Ibovespa recuar cerca de 4% - não em uma única sessão, mas em dois ou três pregões -, para perto de 77 mil pontos.


Dólar


O dólar ganha força no início da tarde desta terça-feira e sobe ao maior nível em uma semana. Pressionado pelo exterior, o mercado local evidencia uma postura mais defensiva antes do julgamento do ex-presidente Lula, que ocorre amanhã.


Na máxima, o dólar subiu até R$ 3,2375, quando ganhava 0,72%. Com isso, marcou o maior patamar desde o último dia 17 quando atingiu R$ 3,2388. Em termos percentuais, foi o segundo maior avanço do ano, ficando aquém do aumento de 0,85% na terça-feira passada.


Às 13h45, a divisa era negociada a R$ 3,2303, em alta de 0,64%. O contrato futuro para fevereiro, por sua vez, avançava 0,83%, a R$ 3,2335.


A ansiedade do mercado se reflete no desempenho da moeda brasileira no mercado global. Embora ainda seja um movimento moderado, o real registra hoje o terceiro pior desempenho do dia numa lista das 33 divisas mais líquidas do mundo. Os destaques negativos eram liderados pelas moedas da Argentina e do México, num bloco composto em grande parte por emergentes, o que também joga contra a moeda brasileira.


Desde o começo do ano, os mercados brasileiros já vinham embutindo nos preços a perspectiva de que o ex-presidente Lula será condenado em segunda instância pelo TRF-4, com grande chance de uma decisão unânime. Até por isso, os últimos dias têm sido marcados pelo aumento da cautela e diminuição da exposição ao risco, de modo a proteger os portfólios de investimento.


De acordo com profissionais de mercado, a confirmação das expectativas abriria espaço para valorização adicional dos ativos. No entanto, o efeito potencial mais acentuado viria de uma frustração com o placar. Isso porque manteria as dúvidas sobre condições de Lula de disputar a eleição de 2018.


Já a vitória de Lula é um cenário pouco trabalhado no mercado, o que eleva o risco de uma reação imediata ainda mais forte. Neste caso, se intensificaria o debate em torno do quadro eleitoral.


Mesmo que a condenação seja reiterada amanhã por decisão unânime, de 3 votos a 0, Lula ainda terá algumas opções para manter seu sonho presidencial vivo. O petista ainda teria entre 30% e 40% de chances de ter seu nome registrado nas telas das urnas de votação, calcula a Eurasia. E se sobreviver ao processo judicial, teria 30% de chance de vencer a disputa presidencial.


Juros


À véspera do julgamento do ex-presidente Lula, o mercado de juros futuros eleva o prêmio exigido para vencimentos mais longos. A postura mais defensiva no mercado se acentua nesta terça-feira diante do risco de reversão de expectativas com a cena política.


Amparado também pela pressão contrária a moedas emergentes, o DI janeiro/2021 sobe hoje a 8,960%, ante 8,930% no ajuste anterior, e o DI janeiro/2023 avança a 9,770%, de 9,720%.


Aumenta assim a distância das taxas longas para as mais curtas, importante medida de prêmio no mercado de juros futuros. A inclinação entre o DI janeiro de 2021 e o DI janeiro de 2019 sobe para 2,07 pontos, de 1,995 pontos.

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