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Juros de longo prazo têm forte alta na véspera do julgamento de Lula

Se o mercado financeiro vinha sendo mais contido na postura cautelosa nos últimos dias, nesta terça-feira (23) à tarde essa discrição deu lugar a uma explícita procura por "hedge". E esse movimento levou os juros futuros de longo prazo às maiores altas em cerca de dois meses, com volume de negócios (1,1 milhão de contratos) de quase o dobro do pregão de segunda-feira (22).


A ansiedade aumenta conforme se aproxima o julgamento de recurso do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marcado para esta quarta (24), em Porto Alegre (RS). Desde a semana passada o mercado havia elevado a demanda por instrumentos de proteção contra um resultado inesperado, mas o nervosismo aumentou na véspera do evento, cujo resultado pode alterar substancialmente as expectativas para as eleições presidenciais e a condução do ajuste das contas públicas.


Mais sensíveis às incertezas, os juros longos tiveram forte demanda de compra. Ao fim do pregão regular, às 16h, o DI janeiro/2025 subia a 10,190% ao ano (10,09% no ajuste anterior e 10,08% no fechamento). A alta de 11 pontos-base ante o encerramento é a mais forte desde o salto de 16 pontos-base de 29 de novembro.O DI janeiro/2023 alcançava 9,800% (9,72% no ajuste anterior). Sobre o fechamento, o acréscimo é de 10 pontos-base, o mais forte desde a alta de 11 pontos-base de 7 de dezembro. Jáo DI janeiro/2021 subia a 8,990% (8,93% no ajuste anterior), também na maior oscilação para cima desde dezembro.


Na inclinação, uma medida de risco, também foi possível observar o clima de maior cautela do mercado. A diferença entre os DIs janeiro/2023 e janeiro/2019 se elevou em 12,5 pontos-base, maior alta desde 14 de novembro (14 pontos-base).


De forma geral, a tese da "assimetria" prevalece. Isso significa que se o ex-presidente for condenado por unanimidade, os preços podem melhorar menos do que piorariam em caso de placar dividido ou absolvição do petista.


"Haveria uma piora muito rápida com um placar de 0 a 3 [absolvição de Lula], mas mesmo sendo 2 a 1 o mercado iria se dar conta que ele teria chances reais de ser presidente. Então voltaríamos a falar de níveis de preço semelhantes aos do fim de 2015", dizum gestor.No último trimestre de 2015, o dólar bateu uma máxima histórica de R$ 4,2484, enquanto o DI janeiro/2022 (contrato de prazo equivalente à época) superou 17% ao ano. No caso dos juros, o gestor ressalva que a Selic, hoje, está em 7% ao ano, bem abaixo dos 14,25% de setembro de 2015.


Nos cálculos da Quantitas, uma unanimidade a favor de Lula levaria o DI janeiro/2021 a 9,30% ao ano, 31 pontos-base acima da taxa desta terça-feira. Com o placar esperado pelo mercado (3 a 0 pela condenação de Lula), os juros cairiam 19 pontos-base, a 8,80%.


Exterior x Lula


Rogério Braga, sócio-diretor e responsável pela gestão de renda fixa e multimercados da Quantitas, pondera que mesmo no pior dos cenários não se pode falar em "caos".


"Ainda que o resultado do julgamento afete a expectativa para a eleição, não vamos decidir a eleição em si amanhã", afirma. O diretor entende ser ainda cedo para prever resultados para o pleito e afirma que o capital político do ex-presidente seria prejudicado em meio às denúncias contra ele.


"Além disso, acho que boa parte da melhora que vimos nos mercados domésticos vem do exterior, que continua benigno. Então mesmo em caso de absolvição de Lula os preços não voltariam às mínimas."


A alta das taxas de DI mais longas hoje contrastou com a queda dos juros mais curtos, mais sensíveis às expectativas para a política monetária. Isso porque o IPCA-15 de janeiro (0,39%) ficou abaixo da expectativa de analistas consultados pelo Valor Data (0,42%). Como resultado, a curva de DI da B3 voltou a cravar corte de 0,25 ponto percentual no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) de fevereiro. Ontem, essa precificação era de -0,22 ponto percentual.Às 16h, o DI janeiro/2019 caía a 6,900% (6,92% no ajuste anterior).

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