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Dólar supera R$ 3,28 e bate máxima desde dezembro

08/02/2018 19h05

Numa sessão que espelhou a volatilidade que tem marcado os mercados acionários mundo afora, o dólar tornou a subir frente ao real, superando nesta quinta-feira a resistência de R$ 3,30.


No fechamento, a moeda captou a desaceleração do "sell-off" em Wall Street e acabou o pregão no mercado à vista a R$ 3,2829, em alta de 0,22%. A uma distância, portanto, da valorização de 0,83% da máxima do dia (R$ 3,3029).


Mesmo reduzindo os ganhos, o dólar ainda alcançou o maior patamar de encerramento desde 28 de dezembro do ano passado (R$ 3,3135).


Em 2018, a divisa ainda cede 0,92%, mas essa queda parece moderada comparada com a de 5,49% registrada no acumulado do ano até o dia 25 de janeiro.


O mercado de câmbio reage ao surto de volatilidade nos mercados de ações, que se intensificou na segunda-feira passada, quando o índice VIX registrou a maior alta de sua histórica ao subir mais de 100%. Nesse dia, os índices de ações Dow Jones e S&P 500 amargaram as maiores quedas em seis anos e meio.


A grande questão é se os mercados de bônus continuarão refletindo maiores riscos de o Federal Reserve (Fed, BC americano) precisar elevar os juros além do precificado pelos investidores. Hoje, o banco central do México aumentou a taxa de juros de referência do país, justificando as expectativas quanto à política monetária americana.


Analistas concordam que o processo de redução do balanço do BC dos EUA combinado com chances de juros ainda mais altos tem potencial para alterar a dinâmica benigna de fluxo a emergentes que predomina há meses. Porém, ainda evitam cravar que o sentimento global virou para pior e monitoram se a turbulência recente já impactou medidas de confiança.


Kamakshya Trivedi e Lorenzo Incoronato, do Goldman Sachs, comparam o cenário atual com a correção de alta no dólar entre maio e junho de 2006, no meio de um ciclo de baixa da moeda americana.


Segundo os profissionais, após um período de até seis semanas de maior volatilidade, os dados macroeconômicos continuaram firmes, o que ajudou a melhorar o sentimento por risco e beneficiou moedas emergentes. Desta vez, há risco de um ajuste de alta intenso no dólar caso preocupações com a economia mundial se juntem a receios sobre inflação e "yields" de bônus soberanos.


"Mas como em meados de 2006, vemos isso como oportunidade para reposicionar portfólios, com a tendência de queda do dólar encontrando espaço para prosseguir", dizem em nota a clientes.

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