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Ibovespa sustenta ritmo positivo; dólar se estabiliza em R$ 3,47

27/04/2018 13h50

O Ibovespa sustenta o ritmo positivo da sessão depois de ter rompido a primeira resistência acima dos 86 mil pontos. O movimento menos animado no exterior, no entanto, limita os ganhos e tira a força das ações mais líquidas, caso dos bancos.

Às 13h42, o Ibovespa subia 0,21%, aos 86.562 pontos ? ainda acima da resistência de 86.150 pontos, superada ontem. O índice, porém, reduz a tração de mais cedo, depois de ter tocado os 87.179 pontos na máxima, maior nível desde meados de março.

No setor bancário, depois de uma abertura mais forte, Bradesco ON (+0,28%, a R$ 32,54), Bradesco PN (+0,72%, a R$ 34,98), Itaú Unibanco (-0,10%, a R$ 51,56) e Banco do Brasil (+0,29%, a R$ 37,46) sustentam um desempenho mais modesto. No exterior, o Dow Jones cai 0,21%, o S&P 500 sobe 0,04% e o Nasdaq avança 0,01%.

Perduram entre os investidores algumas preocupações, em especial sobre o ritmo do aumento de juros nos Estados Unidos. Hoje, a primeira leitura do Produto Interno Bruto (PIB) americano mostrou avanço de 2,3% da atividade no primeiro trimestre, acima das expectativas ? o consenso apontava para um alta de 1,8%.

Ao mesmo tempo, porém, parte dos investidores se apega ao fato de que os gastos com consumo na economia americana não foram tão fortes ? o que reduz, em parte, a chance de um ritmo mais rápido de aperto monetário pelo Federal Reserve.

"O cenário corporativo traz um ajuste fino em diversas ações e é o grande destaque hoje, em um mercado que mostra hoje um ritmo mais forte, mas que vem enfrentando pressão do exterior", afirma Nicholas Kawasaki, analista da Nova Futura.

Entre os destaques positivos, o Grupo Pão de Açúcar sobe 4,53%, a R$ 79,44. A varejista divulgou ontem seus números do primeiro trimestre, com margens acima do esperado, segundo o Brasil Plural. O lucro da empresa no primeiro trimestre cresceu 24,3%, para R$ 150 milhões, um resultado avaliado como positivo pelo Itaú BBA. Ainda assim, a deflação dos alimentos deve continuar pesando nos resultados, nota o BTG Pactual.

Também a Eletrobras PNB é destaque positivo, em alta de 4,53%, a R$ 23,09, diante das informações de que a estatal chegou a um acordo para encerrar uma negociação de garantias de dívidas de R$ 20 bilhões com a Petrobras, segundo o Valor. A Eletrobras ON sobe 3,25%, a R$ 19,07. No mesmo sentido, a Petrobras ON ganha 0,70%, a R$ 24,62, enquanto a PN avança 0,75%, a R$ 22,80.

Vale menção também à Kroton, que segue na ponta positiva (+4,60%, a R$ 14,33), depois que a empresa informou um crescimento de 3,4% na captação de novos alunos no primeiro trimestre, em relação ao mesmo período do ano passado. Nos cursos presenciais, o impacto no setor tem sido grande por causa dos problemas no Fies, programa de financiamento estudantil do governo. Mesmo assim, a Kroton entregou expansão de 4,2% no volume de calouros, o que anima o mercado.

Do lado oposto, a Localiza cede 2,64%, a R$ 28,73, também depois das informações do primeiro trimestre deste ano, enquanto a Embraer ON recuava 2,50%, a R$ 22,60. O BTG Pactual destacou, em relatório, que o resultado da fabricante de jatos veio um pouco abaixo do esperado pelo mercado, embora as atenções estejam bastante voltadas para as negociações com a Boeing. Sobre a locadora de veículos, o Credit Suisse destacou que os números foram ótimos, mas, mesmo assim, abaixo das estimativas dos investidores.

Dólar

O dólar replica as variações da véspera e tem leve queda ante o real nesta sexta-feira, pregão que marca o término de uma semana atribulada para o mercado de câmbio e que empurrou o real a mínimas em cerca de dois anos frente a seus pares.

Após bater R$ 3,5156 na quarta-feira, as vendas "apareceram", o que ajudou a amenizar pressão sobre a taxa cambial. Indicadores técnicos também sinalizavam que na região acima de R$ 3,50 a alta do dólar se mostraria excessiva, o que, taticamente, abriria espaço para algum recuo.

Uma estabilização ou mesmo baixa após dias de fortes ganhos, porém, são comuns após a disparada do dólar vista nos últimos dias. E, portanto, não garantem que a moeda deixará de testar novas máximas.

Entre analistas que veem a divisa em R$ 3,50 ou acima (Capital Economics, BBH e Santander Brasil, entre outros) ou na faixa de R$ 3,25 e R$ 3,40 (BofA, Morgan Stanley, Bradesco, Itaú Unibanco, por exemplo), o que parece consenso é que a volatilidade será mais intensa, especialmente no período imediatamente antes das eleições.

A despeito da visível "underperformace" do real nas últimas semanas, uma boa parte dos analistas ainda cita a boa situação das contas externas e a expectativa de crescimento das economias global e doméstica como contraponto à queda dos diferenciais de juros a mínimas históricas.

"Estamos neutros em real, mas achamos que a moeda está excessivamente fraca em relação a seus pares emergentes", dizem estrategistas do BofA em nota. O banco nota que os fundos de investimento em bônus emergentes mantinham até março posições em real acima do "benchmark". E que o desmonte de parte dessas posições pode ter intensificado a desvalorização cambial de abril.

Isso ajudaria a explicar o fato de o real ocupar a segunda posição entre os piores desempenhos do mês entre as principais moedas, em baixa de 4,72%. Apenas o rublo russo cai mais (quase 8%).

Nesta sexta-feira, o dólar comercial caía 0,16%, a R$ 3,4709.

Juros

Os juros futuros operam em baixa desde a abertura da sessão desta sexta-feira. Sinais de recuperação ainda gradual no Brasil e a trégua da pressão externa abrem caminho para o ajuste das taxas ao longo da curva de DI.

O DI janeiro/2019 caía a 6,230% (6,245% no ajuste anterior); oDI janeiro/2020 marcava 6,930% (6,940% no ajuste anterior); oDI janeiro/2021 recuava a 7,900% (7,930% no ajuste anterior); oDI janeiro/2023 projetava 9,110% (9,180% no ajuste anterior); eo DI janeiro/2025 tinha taxa de 9,670% (9,730% no ajuste anterior).

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