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Ibovespa segue em alta, puxado por Petrobras; dólar é cotado a R$ 3,73

29/05/2018 14h16

O Ibovespa perdeu parte da força verificada no início do dia, mas segue no campo positivo. As fortes quedas verificadas nas últimas sessões ? em especial, o recuo de quase 4,5% no pregão do dia anterior ? abrem espaço para um ajuste técnico e uma recomposição de posições em alguns dos papéis. O destaque continua com as ações da Petrobras, que lideram os ganhos do índice no momento.

Por volta de 14 horas, o Ibovespa subia 1,93%, aos 76.810 pontos, após atingir a máxima aos 77.214 pontos (+2,47%). O giro financeiro do índice é elevado e já soma R$ 7 bilhões, o que implica um volume de mais de R$ 13 bilhões ao fim do dia.

Petrobras PN (+11,53) tem o maior giro do dia, com R$ 2 bilhões, enquanto Petrobras ON (+12,2%) movimentava R$ 367 milhões.

Segundo Fabio Carvalho, chefe de equities da CM Capital Markets, o ajuste de posições verificado hoje é "natural", levando em conta a sequência de quatro quedas consecutivas que derrubou o Ibovespa ao nível de 75 mil pontos.

Quanto à Petrobras, o mercado aguarda teleconferência com investidores e analistas ? o evento contará com a participação do presidente da estatal, Pedro Parente.

Investidores esperam por eventuais declarações que possam melhorar a percepção do mercado, abalada pelo entendimento de que a companhia e sua política de preços estão sujeitas à interferência do governo em episódios de pressão externa, como a greve dos caminhoneiros.

Também entre as maiores altas, destaque para Ultrapar ON (+12,03%) e Gol PN (+4,38%), ambas influenciadas pela percepção de que o abastecimento de combustíveis começa, lentamente, a ser normalizado no país ? a Ultrapar controla a rede de postos Ipiranga, enquanto a Gol é beneficiada pela perspectiva de regularização nas atividades aeroportos.

Câmbio

Após registrar na segunda-feira a maior alta do ano, o dólar ensaia hoje alguma acomodação.O mercado segue sob volatilidade, aumentada pela tradicional "briga" entre comprados e vendidos em torno da taxa Ptax de fim de mês, que será definida amanhã. A taxaserve de referência para derivativos cambiais.

Num mês de forte alta do dólar (6,70%), os comprados - aqueles que ganham com a valorização da divisa - tentam defender taxas mais altas. Mas a força vendedora derivada das injeções de liquidez pelo Banco Central (BC) acaba limitando nova escalada da cotação.

Às 14h10, o dólar subia 0,22%, para R$ 3,7362. O contrato de junho avançava 0,11%, para R$ 3,74.

O sentimento dos investidores segue afetado pelos desdobramentos da paralisação dos caminhoneiros, que se estende hoje pelo nono dia. Um dos pontos de maior receio do mercado são os custos fiscais das concessões feitas pelo governo, num cenário de contas públicas já bastante pressionadas.

Nesse sentido, não é de se estranhar que o dólar tenha abandonado o campo negativo após o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, afirmar que não haverá aumento de impostos para compensar a elevação de despesas com as medidas para os caminhoneiros.

"No fim vai ser isso: mais gasto sem receita que cubra o rombo. E essa é a realidade em ano de eleição", diz Marcos Trabbold, gerente de câmbio da B&T Corretora. Segundo ele, ao fim de tudo, o saldo dos últimos eventos será um governo muito mais fraco e sem capacidade de articular qualquer medida de ajuste fiscal até as eleições.

O que impede que o dólar siga o movimento externo e suba mais forte ante o real é a sinalização do Banco Central (BC), dada ontem à noite, de que manterá as ofertas adicionais de liquidez tanto no fim de maio quanto a partir do início de junho. Com isso, a autoridade monetária sana dúvidas de que poderia interromper as vendas extras de dólar com a virada do mês.

Além disso, o BC já indicou que começará na próxima sexta-feira, dia 1º, as rolagens do vencimento de mais de US$ 8,5 bilhões em swaps cambiais previsto para 2 de julho.

O BC precisou reforçar as vendas de swap conforme o dólar subia em linha reta e já flertava com R$ 3,80. Nem mesmo a surpresa com a estabilidade da Selic em 6,50% conseguiu segurar a pressão no mercado de câmbio.

Nos cálculos dos estrategistas do banco, o valor "justo" para a taxa de câmbio - considerando equilíbrio de fluxos para conta corrente - é de R$ 2,85 por dólar. Ou seja, o real está com excesso de fraqueza na casa de 24%.

Juros

Os juros futuros de longo prazo voltam a subir no começo da tarde desta terça-feira, numa evidência de que uma postura mais defensiva ainda prevalece no mercado. Mais cedo, as taxas até davam sinais de que poderiam se ajustar em baixa. No entanto, logo que o Tesouro Nacional concluiu sua intervenção na renda fixa, as taxas dos DIs retomaram a trajetória de alta.

No segundo leilão extraordinário da semana, o Tesouro Nacional fez a compra integral de 750 mil títulos públicos com rendimento prefixado, as chamadas NTN-Fs, num sinal de demanda elevada por "saída" do mercado. "Fica a impressão de que a demanda no leilão não foi totalmente atendida e, por isso, as taxas dos DIs voltam a subir", diz o operador de uma corretora bastante ativa no segmento.

Não se descarta, assim, que o Tesouro tenha de elevar sua oferta amanhã, quando conclui a programação de ofertas desta semana. Boa parte da busca pelos papéis, dizem profissionais de mercado, pode estar atrelada à volta dos investidores estrangeiros ao mercado. Ontem, em meio ao feriado nos Estados Unidos, o Tesouro comprou apenas 28,25% de um total de até 1 milhão de papéis, que se dispôs a adquirir.

Além da demanda pelos títulos públicos, o novo salto dos juros longos na B3 é um bom termômetro da piora da percepção de risco. O DI janeiro de 2027 e o DI janeiro de 2029 já sobem, hoje, mais de 10 pontos-base, acumulando alta de cerca de 60 pontos-base desde o fechamento do dia 18, às vésperas da greve dos caminhoneiros.

A herança da crise dos combustíveis, que ainda demora em terminar, deve ser negativa para a confiança. O quadro é agravado pela proximidade das eleições. "Não vejo nenhum candidato com poder de aglutinar forças suficientes para promover reformas", aponta o estrategista-chefe da Coinvalores, Paulo Nepomuceno. Até por isso, ele descreve a trégua registrada mais cedo apenas como uma correção. "O mundo não acabou, isso é bem verdade, mas o cenário deteriorou sensivelmente", alerta.

A leitura dos especialistas é de que as taxas futuras têm espaço para cair um pouco mais no curto prazo, mas não voltam aos patamares anteriores à crise. Além das incertezas locais, a aversão ao risco no exterior entra no caminho do alívio.

Incerteza foi a principal mensagem dada por economistas ontem ao diretor de Política Econômica do BC, Carlos Viana de Carvalho. Em evento no Rio de Janeiro, o dirigente ouviu preocupações de analistas sobre o quadro econômico. De acordo com relatos, os especialistas se mostraram bem preocupados com o efeito da greve no PIB e no aumento da chance de um candidato populista vencer as eleições.

Por outro lado, não houve grande alarde com o repasse cambial para a inflação, pelo menos por enquanto, o que ainda inibe apostas de um aperto monetário antecipado no Brasil.

Às 14h12, o DI janeiro/2019 marcava 6,775% (6,755% no ajuste anterior);o DI janeiro/2020 operava a 7,730% (7,710% no ajuste anterior) e oDI janeiro/2021 subia a 8,870% (8,830% no ajuste anterior). ODI janeiro/2023 avançava a 10,480% (10,380% no ajuste anterior) e oDI janeiro/2025 subia a 11,120% (10,990% no ajuste anterior).

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