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Boeing: Negociação com Embraer avança, mas não há prazo para conclusão

19/06/2018 09h44

(Atualizada às 11h56) A presidente da Boeing na América Latina, Donna Hrinak, disse que as negociações para uma sociedade com a Embraer "estão progredindo" e atravessam "um bom momento".Mas a executiva destacou que ainda não pode estabelecer prazos para uma definição. "Não posso falar mais que isso. Até porque a conversa envolve três partes", afirmou, referindo-se ao governo brasileiro.

Boeing e Embraer negociam uma combinação de negócios, em que por meio de uma joint venture vão desenvolver, produzir e comercializar jatos comerciais.

Donna Hrinak participou em São Paulo de um evento sobre biocombustível. Mas nem ela nem o vice-presidente de tecnologia da Embraer, Daniel Moczydlower, também presente ao evento, quiseram comentar o estágio da atual negociação.

A proposta inicial da americana era comprar o controle da Embraer. Mas o governo brasileiro, que detém uma ação com direito a veto no capital da fabricante brasileira, colocou-se contra, alegando preocupação de preservar sob domínio nacional as áreas de defesa e segurança da companhia baseadas em São José dos Campos (SP).

Assim, Boeing e Embraer partiram para um novo modelo de negócio por meio do qual criam uma joint venture, na qual a americana terá 80% e a brasileira 20%.Segundo o Valor apurou na semana passada com fontes que acompanham as negociações, faltam detalhes finais para o negócio ser fechado de forma que o governo aceite as condições.

Entre esses detalhes estão as condições de preços para os ativos que serão incluídos na jointventure e a participação econômica nos resultados da nova empresa que Boeing e Embraer terão.

A qualificação do corpo de engenheiros da Embraer - com cerca de cinco mil profissionais - que desenvolveu em menos de meia década uma nova geração de jatos comerciais E2, é um dos ativos que mais atraem a Boeing.A empresa americana quer ter produtos do segmento de jatos para passageiros com capacidade para menos de 150 assentos, no qual a Embraer é líder mundial.

Sustentável

Hrinak destacou a parceria de longa data que as duas empresas já possuem, inclusive na pesquisa e desenvolvimento de formas alternativas para combustível de aviação.A iniciativa que envolve Embraer e Boeing é o Centro Conjunto de Pesquisa em Biocombustíveis Sustentáveis de Aviação, criado em 2015, com o objetivo de desenvolver e amadurecer o conhecimento e tecnologias que possibilitem o estabelecimento da cadeia de biocombustíveis sustentáveis para a aviação.

A executiva destacou que embora atue em pesquisas relacionadas a esse tema em vários lugares do mundo, apenas no Brasil a companhia americana tem uma parceria contratual com uma outra empresa local, no caso a Embraer.Juntas, as empresas desenvolvem testes em uma aeronave, o Ecodemonstrador, na qual compartilham experiências e investimentos para que o biocombustível possa ser utilizado em larga escala pela indústria da aviação.

"O Brasil tem condições para assumir a liderança nesse processo", disse ela a uma plateia de especialistas e empresários no evento organizado pela União Brasileira do Biocombustível e Bioquerosene (Ubrabio), em São Paulo.

Em parceria com o Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) foi desenvolvido um estudo para a criação de biorrefinarias a partir de usinas de cana-de-açúcar, utilizando três rotas já homologadas para biocombustíveis.

A indústria aeronáutica assumiu o compromisso de reduzir seu impacto ambiental e estabeleceu metas ambiciosas para atingir um crescimento neutro em carbono até 2020 e para reduzir emissões de dióxido de carbono em 50% até 2050, quando comparado aos níveis de emissão de 2005. Hoje, a indústria gera aproximadamente 2% das emissões de dióxido de carbono no planeta.

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